12 maneiras de financiar o desenvolvimento do seu jogo: não deixe sua ideia morrer por falta de dinheiro

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Quantos ótimos jogos já deixaram de existir por falta de capital para financiar seu desenvolvimento?

Ou ainda: quantos jogos publicados poderiam ser muito melhores se a verba para o seu desenvolvimento não fosse tão apertada?

Nem sempre dinheiro é a solução do problema, mas é seguro dizer que muitos desenvolvedores seriam capazes de criar jogos ainda mais interessantes se a verba para o projeto fosse um pouco maior.

Existem muitos casos onde grandes projetos foram engavetados por falta de dinheiro para seguir com o desenvolvimento até o final.

Como fazer então para não deixar sua ideia morrer por falta de dinheiro?

Neste artigo eu vou te mostrar 12 maneiras de financiar o desenvolvimento do seu jogo para que você aumente as chances do seu jogo ser finalizado como ele merece.

Estas não são as únicas 12 formas, são apenas algumas sugestões baseadas nas opções mais comumente utilizadas pelos desenvolvedores mundo afora.

Elas também não precisam ser utilizadas separadamente: você pode combinar várias formas de financiamento para viabilizar o seu projeto, se necessário.

Dessa forma, o objetivo deste artigo é mostrar para você que existem muitas maneiras de financiar o desenvolvimento de um jogo e talvez você não tenha considerado com cuidado todas elas ainda. Por isso, te convido a fazer isso agora comigo e depois se aprofundar naquelas opções que mais te interessar.

Antes de prosseguirmos, vale notar que eu não estou recomendando nenhuma opção em particular, nem dizendo que elas são boas ou ruins. Eu acredito, caro leitor, na sua capacidade de identificar a opção mais adequada para o seu contexto particular.

Por esse motivo, eu estou incluindo até mesmo algumas opções mais arriscadas ou polêmicas. Confio em você para tomar a melhor decisão para o seu caso, beleza?

Continue lendo este artigo e você conhecerá as 12 maneiras de financiar o desenvolvimento do seu jogo que irei te apresentar aqui no Produção de Jogos. São elas:

  1. Seu atual emprego
  2. Suas próprias economias
  3. Trabalhando como freelancer
  4. Amigos e família
  5. Patrocínio de outra pessoa ou empresa
  6. Empréstimo em Banco
  7. Financiamento coletivo (ou crowdfunding)
  8. Prêmios de festivais e concursos
  9. Programas de auxílio do governo
  10. Colocar seu jogo em pré-venda (ou early access)
  11. Publicadoras
  12. Conseguir um investidor-anjo para a sua empresa ou projeto

Pronto para começar? Então vamos lá

1. Seu atual emprego

Essa é provavelmente a opção mais comum e natural.

Você tem o seu emprego normal em alguma empresa (muitas vezes não tem nada a ver com jogos) e no seu tempo livre trabalha no desenvolvimento do seu game.

Se o seu objetivo é apenas desenvolver jogos como hobby, então provavelmente esta é a melhor opção mesmo. Mas se você quer um dia trabalhar exclusivamente com jogos, vale a pena pesar os prós e contras dentro do seu contexto.

Vamos analisar algumas das vantagens e desvantagens desta opção.

A principal vantagem talvez seja a segurança financeira e emocional de ter um emprego remunerado enquanto desenvolve o seu jogo. Afinal, você não sabe se o seu jogo será um sucesso comercial.

Nesse contexto, você pode trabalhar no desenvolvimento do seu jogo com tranquilidade e sem se meter em riscos financeiros desnecessários.

Por outro lado, também é possível argumentar que essa segurança toda pode acabar sendo uma desvantagem.

Quando estamos numa posição confortável, comumente nós nos dedicamos menos, arriscamos menos e demoramos mais tempo que o necessário para desenvolver algo (afinal, para que a pressa se está tudo estável?).

Como você não tem nada a perder, pode ser que você fique anos desenvolvendo o jogo e nunca chegue em lugar nenhum, simplesmente porque não existe nenhuma pressão em publicá-lo e fazer o projeto dar certo financeiramente.

Uma outra desvantagem frequentemente apontada por desenvolvedores de diferentes níveis é a exaustão (física e emocional) proveniente da jornada dupla de trabalho.

Conheço muitos casos de pessoas que trabalham de noite e no fim de semana desenvolvendo jogos. Fazer essa dupla jornada pode ser bem cansativo e é preciso ser organizado para não acabar deixando de dar atenção pra vida social e para a família.

Algumas dicas se você decidir seguir por esse caminho:

  • Organize seu tempo de forma eficiente. Já que você terá pouco tempo, cuidado pra não acabar deixando sua saúde, amigos e família de lado para desenvolver jogos no seu tempo livre. Defina um período de trabalho adequado para o seu projeto e siga-o corretamente;
  • Organize seu projeto de forma eficiente. Como você terá pouco tempo, a organização do seu projeto de desenvolvimento é muito importante. Eu particularmente recomendo o uso do Asana ou Trello para deixar tudo organizado;
  • Tenha datas limites para finalizar partes do jogo. Não é porque você não tem um chefe te dando ordens que o seu projeto pode tomar quanto tempo quiser. Defina datas e pressione-se para alcançar as metas que você definiu. Essa é a melhor maneira de garantir que você não ficará desenvolvendo o seu jogo por tempo indefinido, sem nunca publicar nada;
  • Faça uma reserva financeira. Pode chegar um momento que o seu jogo ganhe atenção do mercado (prêmios em festivais, viralização do trailer, etc) e quanto maior a reserva financeira que você tiver nesse momento, com maior tranquilidade você vai poder decidir se é o momento certo para largar o emprego e se dedicar exclusivamente aos jogos.

2. Suas próprias economias

Outra opção comum é fazer um planejamento financeiro para que você consiga tirar um ano sabático focado em desenvolvimento de jogos.

Com boa organização, você pode juntar dinheiro o suficiente para ficar um ano (ou um outro período) fora do mercado de trabalho focando exclusivamente no desenvolvimento do seu jogo. Se você não conseguir fazer essa mudança de carreira a tempo, você volta para o mercado de trabalho.

Obviamente, não é todo mundo que possui um salário alto o suficiente para fazer essa reserva financeira.

Também não é todo mundo que possui boa empregabilidade a ponto de se garantir em conseguir um novo emprego depois, caso o projeto do game não vá pra frente.

É muito importante que você analise se esta opção está dentro do seu contexto.

Em caso positivo, um bom planejamento financeiro e organização vão te ajudar a não tomar uma decisão precipitada e colocar a carroça na frente dos bois.

Como exemplo e inspiração, confira a entrevista que eu fiz com o Pérsis Duaik – desenvolvedor de Aritana e a Pena da Harpia – sobre os bastidores do desenvolvimento do jogo e sua carreira.

3. Trabalhando como freelancer

Dependendo de quais forem suas habilidades, existe também a possibilidade de trabalhar como freelancer enquanto desenvolve seus jogos.

Essa opção te dá mais liberdade que ter um emprego convencional e não é tão arriscado quanto viver exclusivamente de suas próprias economias. Portanto, ela pode ser o meio-termo que você estava procurando.

Você pode balancear a quantidade de trabalho remunerado e de tempo investido no desenvolvimento do seu jogo, de acordo com a sua necessidade.

E se você acha que ter um trabalho no formato “freelancer” é apenas para programadores e artistas, pense de novo. Existem muitas maneiras de ser remunerado por projeto, sem ter um vínculo empregatício.

Você pode ser um consultor na sua área de atuação, dar aula particular de outras línguas, trabalhar com escrita ou revisão de textos, e por aí vai.

Se você estiver disposto a encarar esse formato de trabalho em prol do desenvolvimento do seu jogo, as possibilidades são inúmeras.

4. Amigos e Família

Você pode contar com o apoio financeiro de familiares e amigos no desenvolvimento do seu jogo.

Essa alternativa costuma ser mais comum quando o desenvolvedor já teve alguns resultados positivos e está buscando levantar uma grana para tocar um projeto mais audacioso.

Quando você tem boa credibilidade profissional e já teve alguns bons resultados, fica mais fácil conseguir fazer uma “vaquinha” entre amigos e familiares para conseguir a verba necessária para desenvolver um jogo.

O formato aqui pode variar bastante. Essa grana pode ser uma simples doação das pessoas que te amam e apoiam, pode ser um investimento (com divisão de lucros após o lançamento do jogo) ou mesmo um empréstimo com juros baixos.

Deixo com você, caro leitor, a responsabilidade de entender se esta é uma opção que faz sentido no seu contexto. E, em caso positivo, entender qual a melhor maneira de “vender” essa ideia para seus amigos e familiares.

Antes de irmos para a próxima opção, recomendo que você dê uma olhada nesse papo que eu tive com o Henrique Caprino, da Pocket Trap. Ele obteve auxílio da família para iniciar seu estúdio de games e o resultado disso foi incrível.

5. Patrocínio de outra pessoa ou empresa

Uma opção menos comum, mas que também acontece, é encontrar um patrocinador para o seu projeto.

Nesta opção, uma pessoa ou empresa se disponibiliza para financiar o desenvolvimento parcial ou total do seu jogo.

Os motivos podem ser bem diversos. Como exemplo, uma empresa pode financiar o desenvolvimento de um jogo que vai ter um efeito positivo para a sua marca de alguma maneira.

Deixa eu te dar um exemplo, apenas para ilustrar.

A Nike poderia patrocinar o desenvolvimento de um jogo que estimula as pessoas a correrem de manhã. Quanto mais pessoas tiverem esse hábito, melhor será pra Nike, pois ela é a marca número 1 na cabeça das pessoas para tênis de corrida.

Ela teria um ganho indireto e, dependendo do custo e alcance do jogo, pode ser bom negócio pra ela patrocinar o desenvolvimento do game.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado na busca de patrocínio de artistas famosos, músicos, pequenos comerciantes, entre outros.

Cabe a você entender quais empresas ou pessoas o seu jogo pode beneficiar e correr atrás para “vender” essa ideia para eles, em busca de auxílio financeiro.

6. Empréstimo em banco

Essa provavelmente é a opção mais arriscada e menos recomendada de todas.

Mas, sim, você pode pegar um empréstimo no banco para desenvolver o seu projeto.

Existem muitos casos nos quais um empréstimo pode alavancar bastante o crescimento de uma empresa, e na indústria de games isso não é diferente.

Se você ainda é um desenvolvedor inexperiente, eu sugiro que você não opte por esse caminho. Permita-se entender o mercado primeiro, atuando com pouco risco, antes de optar por caminhos mais ousados.

Se você já é um desenvolvedor mais experiente, ou se você já é um empreendedor com resultados, essa pode ser uma opção interessante.

Para ilustrar, imagine a seguinte situação. Você está conversando com um amigo seu que trabalha em uma grande empresa e descobre que eles estão procurando alguém para criar um advergame.

Você é um bom desenvolvedor de jogos, mas o projeto exigiria pelo menos 6 meses de trabalho e uma equipe com 5 pessoas. Você consegue então uma reunião com o responsável na empresa do seu amigo e consegue fechar o projeto num excelente valor.

Agora, com o contrato em mãos indicando quanto você receberá na conclusão do projeto, você pode recorrer a um empréstimo no banco para fazer as contratações necessárias e desenvolver o jogo encomendado.

Este é um exemplo meramente ilustrativo, mas te garanto que acontece mais vezes do que você imagina.

Se você já tem uma garantia de pagamento (via contrato), talvez o empréstimo seja a melhor opção para desenvolver o projeto com a velocidade e qualidade necessárias.

De qualquer forma, pense bem antes de seguir um caminho desse tipo. Como eu disse várias vezes neste artigo: deixo com você leitor a tarefa de decidir o que faz mais sentido para o seu contexto.

7. Financiamento coletivo (ou crowdfunding)

Neste modelo, o desenvolvedor busca financiar o seu projeto através de uma “vaquinha” virtual.

Acontece mais ou menos assim: o desenvolvedor cadastra o seu projeto em um dos vários sites especializados em financiamento coletivo (como o Kickstarter, Indiegogo, Catarse, Kickante, entre outros) e divulga qual o montante de dinheiro precisa para fazer o jogo.

Então, durante um período que geralmente vai de 30 a 60 dias, o público pode optar por contribuir financeiramente para o projeto através de várias quantias diferentes.

Quem contribui financeiramente para o projeto recebe algum prêmio, que pode ser o próprio jogo, brindes físicos, agradecimentos, e o que mais o desenvolvedor conseguir pensar para atrair mais contribuições.

Vale notar que o financiamento coletivo não é tão simples quanto parece.

Muitos desenvolvedores se enganam ao acreditar que é só fazer um projeto interessante que o dinheiro vai começar a entrar.

Criar uma campanha bem sucedida de financiamento coletivo requer bastante esforço e planejamento estratégico (pense em 1-3 meses de trabalho pra fazer uma excelente campanha).

É importante também levar em consideração o custo de operar a campanha, que vai desde horas de trabalho investidas (criação de arte promocional, divulgação, etc) até o custo logístico de entrega dos prêmios da campanha.

Muita gente pensa apenas no lado positivo: “Se minha campanha viralizar posso conseguir bastante dinheiro e desenvolver meu jogo com calma”. Mas na realidade são raras as campanhas que viralizam e acabam conseguindo até várias vezes o valor pedido.

Cuidado para não se empolgar demais com os casos de sucesso e esquecer de analisar também os casos de fracasso.

Mantenha a cabeça equilibrada e pondere bem se faz sentido seguir por esse caminho.

Esteja ciente que não é só colocar a campanha no ar, existe todo um trabalho por trás para garantir que a campanha seja um sucesso.

Por outro lado, uma campanha de sucesso pode ser uma grande conquista do desenvolvedor. Ter dinheiro para produzir o seu jogo sem precisar recorrer a empréstimos (do banco ou de conhecidos), economias pessoais ou vender uma porcentagem da sua empresa para um investidor é com certeza um grande passo.

Se optar por esse caminho, estude campanhas de sucesso e prepare-se para um trabalho que vai muito além dos dias em que a campanha de crowdfunding está ativa.

Um dos estúdios brasileiros que mais teve sucesso nesse tipo de abordagem foi a Behold Studios, a qual conseguiu lançar o game Chroma Squad usando o site Kickstarter. Foram US$97.148 arrecadados com a ajuda de 3.964 colaboradores.

Para saber mais sobre a jornada da Behold para conseguir financiar o projeto, confira esta entrevista do PDJ Show com o sócio-fundador da Behold Studios, Saulo Camarotti.

Outra iniciativa bem sucedida foi o jogo Tormenta: O Desafio dos Deuses, que conseguiu um total de R$74.515 por meio da plataforma de financiamento coletivo Catarse.

Eu entrevistei o diretor do projeto, EdH Müller, e ele me contou em detalhes como a campanha para a criação do game funcionou, como o valor e o prazo necessários foram definidos, o motivo para ele ter escolhido a plataforma Catarse, entre outros. Clique neste link para acessar.

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8. Prêmios de festivais e concursos

Se você já é um desenvolvedor com alguma experiência, você pode conseguir dinheiro através de prêmios em festivais e concursos.

Essa premiação pode inclusive ser de uma versão inicial do seu jogo, e o dinheiro do prêmio vai ser utilizado para finalizá-lo.

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário já ter desenvolvido o jogo inteiro para ganhar dinheiro através de prêmios.

Existem muitos concursos e festivais que premiam jogos que ainda estão em estágios iniciais do desenvolvimento ou até mesmo jogos que mal começaram a ser desenvolvidos.

Este último caso geralmente ocorre em premiações para “pitches”, eventos nos quais o desenvolvedor geralmente tem alguns poucos minutos para convencer uma banca de jurados porque a sua ideia de jogo merece ser financiada.

Também é comum que o desenvolvedor faça o jogo inteiro com o seu próprio dinheiro e, por meio dos prêmios financeiros que conquistar com ele, consiga a verba necessária criar uma versão mais elaborada do jogo ou mesmo um novo projeto mais audacioso.

Se você se interessou por esta opção de financiamento, sugiro que você veja a entrevista que eu fiz com o pessoal da Supernova Indie Games, onde eles contam como conseguiram ganhar 20 mil reais de prêmio no BIG Festival para o desenvolvimento do jogo

9. Programas de auxílio do governo

Em diversas partes do mundo existem programas do governo para auxiliar o desenvolvimento de jogos. Essas ações têm como objetivo estimular a produção cultural e atividades empreendedoras no setor de jogos.

No Brasil existem alguns programas de auxílio bem populares como o Inovapps, a Lei Rouanet e, mais recentemente, o edital publicado pela ANCINE.

Para aproveitar essas oportunidades é preciso ficar de olho nos editais do governo que são publicados e ler atentamente como cada um funciona. Se possível, fale com desenvolvedores que ganharam prêmios anteriores para saber como foi.

Nesta opção de financiamento, a recomendação mais importante que eu posso te dar é a seguinte: antes de se aventurar em uma dessas iniciativas, leia atentamente o edital e busque entender cada detalhe do documento. São vários direitos e deveres que aqueles que participam do programa se propõem a aceitar, então é imprescindível que você saiba exatamente onde está se metendo.

Se ficar com dúvidas ao ler um edital, busque discutir com colegas ou busque a opinião de especialistas (e, idealmente, consulte um advogado). Essa é a melhor maneira de não ter dor de cabeça por não ter entendido algo ponto crucial do documento.

Alguns de vocês até já devem ter ouvido falar no jogo Torën, o primeiro jogo financiado pela Lei Rouanet em 2011.

Com a meta de captar R$370 mil, a equipe gaúcha Swordtales iniciou o desenvolvimento do game naquele mesmo ano e lançou as versões para PS4 e PC em 12 de maio de 2015.

Mas, é importante que vocês saibam que a jornada para quem opta por essa forma de financiamento não é fácil.

Apesar de a lei ter incluído os games entre os projetos culturais que financia desde 2011, a função de captar o dinheiro necessário para viabilizar o projeto é da própria equipe selecionada. Dessa forma, cabe aos desenvolvedores a tarefa de convencer as empresas para que elas repassem os impostos pagos para a iniciativa determinada.

Aliás, caso você seja aluno da Academia de Produção de Jogos, não deixe de conferir o curso “Editais do Governo para Jogos Digitais” presente no Módulo 5 do nosso programa. Lá você vai encontrar todas as informações que precisa para aumentar as suas chances de escrever um bom projeto e ser premiado em editais do governo brasileiro.

10. Colocar seu jogo em pré-venda (ou early access)

Você pode colocar o seu jogo na pré-venda com um preço bem descontado (por exemplo, com desconto de 70%-90% do preço final que pretende cobrar) para fazer algum dinheiro enquanto você ainda está desenvolvendo o jogo.

Se a pré-venda for feita de maneira inteligente e estratégica, pode ser que o desenvolvimento do jogo já se pague desde os estágios bem iniciais.

Este foi o caso do jogo Ubermosh, de Walter Machado. Não deixe de conferir essa entrevista que eu fiz com ele para entender melhor como ele fez.

Para tirar o máximo de vantagem ao optar por colocar seu jogo em pré-venda, alguns cuidados precisam ser tomados.

A dica mais importante que eu posso te dar aqui é a seguinte: não coloque uma versão muito crua como pré-venda, pois pode acabar sendo prejudicial para a imagem do seu jogo.

Aqui vale a expressão “a primeira impressão é a que fica”. Se um jogador odiar o seu jogo na primeira vez, dificilmente você terá uma segunda chance pra mostrar como o seu jogo melhorou. Então, considere liberar na versão de pré-venda uma parte do jogo onde a experiência já é bem interessante (mesmo que ainda seja limitada).

Uma das principais críticas que você quer receber aqui é “o jogo é bom, mas é curto demais!”. Recebendo uma crítica desse tipo você sabe que conquistou o jogador e agora deve trabalhar nas novas fases e funcionalidades para tornar a experiência mais longa e interessante.

11. Publicadoras

Publicadoras, ou publishers, são empresas que vão te auxiliar na publicação e divulgação do seu jogo, geralmente em troca de uma porcentagem dos lucros do projeto por meio de um contrato.

Existem diferentes modelos para se trabalhar com publicadoras, e você precisa ver se o momento é adequado para você e se a proposta é realmente boa.

Uma vantagem é que você, como desenvolvedor, vai poder se concentrar mais no desenvolvimento do jogo em si, em vez da parte de marketing e monetização (pois a publisher provavelmente irá te auxiliar nestes itens).

Muitas vezes a publicadora pode dar um adiantamento financeiro (ou mesmo um investimento direto) para ser utilizado no desenvolvimento do jogo. Esse adiantamento é recuperado pela publicadora quando o jogo é publicado (caso ele dê lucro, claro)

Para entender melhor como funciona uma publicadora, recomendo que você assista a conversa que eu tive com o Carlos Estigarribia, fundador da publicadora Leela, onde nós entramos em vários detalhes sobre este modelo.

12. Conseguir um investidor-anjo para a sua empresa ou projeto

O investidor-anjo é alguém que vai acompanhar seu projeto com o objetivo de aumentar chances dele ser bem-sucedido, podendo apoiá-lo com capital, sua experiência em negócios e sua rede de contatos.

Eu particularmente não gosto da parte “anjo” em “investidor-anjo”. Esse nome faz algumas pessoas pensarem que esses investidores são pessoas que querem apenas te ajudar a realizar o seu sonho.

É claro que o investidor-anjo quer que você, como parceiro de negócios, chegue longe com o seu projeto. No entanto, estando no papel de investidor, o seu principal objetivo é conseguir retorno sobre os investimentos feitos (a parte boa é que isso significa retorno para você também. Se o acordo for bem feito, esse é um ótimo exemplo de relação ganha-ganha).

Para evitar problemas futuros é muito importante ler atentamente o contrato antes de aceitar um investidor anjo na sua empresa. Muitas pessoas não examinam o contrato com o cuidado necessário e acabam esbarrando com surpresas em estágios mais avançados do projeto.

Como uma dica final, te digo o seguinte: a melhor hora de procurar um investidor anjo é quando você NÃO precisa dele ainda. Quanto mais necessitado de capital você estiver, pior o acordo que você vai conseguir com um investidor. É claro que isso não é uma regra, mas em qualquer negociação é normal que quanto mais debilitada uma parte está, menos ela consegue exigir da outra parte.

 

Conclusão

Espero que este blogpost tenha te ajudado a enxergar que existem muitas maneiras além do óbvio para financiar o seu próprio jogo.

Mesmo que algumas das opções não sejam adequadas para o seu contexto atual, vale tê-las em mente para não perder oportunidades no futuro.

O que vai te separar de quem “morre na praia” é a habilidade de fazer acontecer. E, para fazer acontecer, você precisa saber as opções que existem disponíveis e ter um bom entendimento sobre quais são as mais adequadas para cada projeto que você se envolver.

E se você ainda está em dúvidas se é mesmo possível viver de games no Brasil, não deixe também de assistir esta aula especial sobre como o mercado de games realmente funciona e como você pode fazer parte dele (mesmo se você não quer largar sua carreira atual)

Agora eu quero saber de você: você já tinha pensado a fundo em todas as opções de financiamento que eu escrevi neste artigo? Quais dessas opções você acha mais interessante e por que?

Escreva abaixo nos comentários e vamos continuar esse assunto tão importante para desenvolvedores!

Se você tiver um caso para contar (de sucesso ou fracasso) ou mesmo se tiver outras maneiras de financiamento, compartilhe com a gente nos comentários.

  • Cleytton Cartanoly

    Olá Rapha e pessoal da Produção de Jogos! Artigo muito bacana, Rapha! Ah também uma Plataforma que tenho acompanhado chamada Apoia.se https://apoia.se/ , nela, eu apoio a Revista Dragão Brasil (SIM! Amo RPG de mesa! rsrsrs). Através desta Plataforma que não é “final”, ou seja, “chegou no final do período ou do valor estipulado, a campanha chega ao fim”, na Apoia.se, o capital é de apoio “mensal”, ou seja, “conforme a quantidade de apoiadores você tiver, cada mês, você terá um valor “x”. Eu acho interessante para desenvolvedores que, por exemplo, criam jogos customizáveis, ou seja, que vão liberar, por exemplo, a cada mês (ou algo assim), novos patch’s com armas, vestimentas, habilidades, etc. Enfim, mais uma opção aí para o pessoal pensar se é viável ou não. Abração, Rapha! Amando ser parte da APDJ!

    • Raphael Dias

      Fala, Cleytton!
      Ótimo ver alguém da Academia de Produção de Jogos por aqui comentando 🙂
      Eu conheço sim o apoia.se e outras plataforms que funcionam nesse sistema mensal (como o próprio Patreon). Acho uma opção interessante também e requer um pico de esforço menor quando comparável a crowdfundings que são pontuais no tempo (ou seja, tem data pra começar e acabar).
      Valeu por contribuir aqui com seu comentário, abraço!

      • Cleytton Cartanoly

        Imagina, Rapha! Satisfação total ser da Família APDJ! E vamos que vamos!