Como é a carreira de um game designer

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A maior vantagem para quem seguir carreira em jogos é que essa área é capaz de envolver diversos tipos de profissões e cargos. E uma das mais importantes e famosas funções para trabalhar no setor é a do game designer.

Aliás, se você ainda está em dúvida se deve ou não tentar uma carreira no mundo do desenvolvimento de jogos, dá só uma olhada neste ebook gratuito que eu escrevi sobre 11 Razões Indiscutíveis para Trabalhar com Jogos no Brasil.

Caso você esteja querendo desenvolver jogos e ainda não saiba como chegar lá, acompanhe este artigo onde eu apresento não só as funções de um game designer, como também o que é preciso para alcançar essa posição na carreira em games.

Por isso, continue lendo para saber:

O que é game design e o que faz o game designer

Para entender o que é um game designer é preciso também entender quais tarefas estão ligadas ao game design em si.

O design de jogos envolve desde a concepção, criação até a coordenação do jogo que será criado. É por meio dessa atividade que o projeto toma vida e passa a englobar as áreas de programação, arte, sonoplastia, entre outros.

Sendo assim, a responsabilidade do game designer (ou designer de jogos) é cuidar de todo o planejamento da interface, interatividade, enredo e mecânicas do jogo que deverão entreter o jogador. Em outras palavras: é esse profissional que deverá pensar em formas de tornar o jogo divertido, engajador e interessante para o público.

É possível criar um jogo sem exatamente ter um designer gráfico, um programador ou gerente de projetos. No entanto, é impossível conceber um game sem que alguém atue como o game designer da equipe.

A partir do planejamento feito pelo game designer é gerado um Game Design Document (GDD), o qual contém todos os dados do projeto do jogo.

E é importante ressaltar que mesmo quem trabalha sozinho, desenvolvendo jogos independentes, precisa se organizar dessa forma e desempenhar essa função para, então, ter mais chances de sucesso na criação e publicação do jogo.

O que não é um game designer

Por se tratar de uma atividade muito abrangente, é fácil confundir um game designer com o gerente/ líder de uma equipe de desenvolvimento de jogos, quando isso não exatamente é verdade.

Isso pode até acontecer em alguns casos, como em equipes muito pequenas ou quando o próprio game designer trabalha sozinho como desenvolvedor e também desempenha outras funções na arte e na programação.

Aliás, um estúdio de desenvolvimento de jogos pode até ter equipes específicas de game designers ou mais de um game designer em um projeto.

Muitos também podem acabar confundindo essa ocupação com a de um designer gráfico, que se trata de outra área profissional e que geralmente atua na criação de artes gráficas para o jogo.

Como funciona a carreira de um game designer

Um game designer passa por várias etapas do desenvolvimento de um jogo – desde o planejamento em si até a concepção da arte e da programação de suas mecânicas.

Sendo assim, na pré-produção do projeto ele cuida do design e das regras que norteiam o jogo. E na fase de produção ele faz o design do gameplay, da ambientação, trama e dos personagens do game.

Para ter uma ideia de como essa ocupação funciona, pense na função de um diretor de cinema. Esse profissional estrutura a parte artística e técnica de um filme para que ele corresponda à sua criatividade.

A mesma coisa acontece com o game design: as habilidades de arte, escrita e técnicas são essenciais para um profissional nesse posto. O perfil de um game designer, então, é de um profissional que sabe lidar com conhecimentos multidisciplinares, tem boa comunicação com a equipe e também está constantemente estudando formas de aplicar a arte da melhor forma na história de um jogo.

Uma maneira comum de começar nessa profissão é iniciar a carreira testando jogos.

Para quem não sabe, um testador de jogos é aquele profissional responsável por encontrar erros nos protótipos do jogo (os famosos bugs) e também avalia se os desafios e a história do jogo estão de acordo com o que é proposto no projeto proposto. Muitos gamers, inclusive, acham que essa é a profissão dos sonhos.

Em estúdios com equipes estruturadas, é comum ver os designers serem divididos entre diversos cargos, como:

  • Designer-chefe: responsável por liderar os demais profissionais em sua equipe e por toda a visão que desenvolve o conceito do jogo. Ele quem toma as decisões e garante a comunicação da equipe. Sendo assim, o designer-chefe pode ser o próprio dono da empresa de jogo ou ser designado como líder principal na organização;
  • Designer de sistema ou Designer de mecânica de jogo: esse profissional tem como principal responsabilidade a elaboração das regras do jogo, de forma que elas sejam equilibradas;
  • Designer de fase (Level Designer) ou Designer de ambientação: essa função é uma das mais importantes, pois diz respeito às fases, desafios e missões de um jogo. É o designer de fase quem faz com que cada etapa do game proporcione engajamento e apresente a devida evolução do jogador até o fim da história do jogo.
  • Redator: o redator, como o próprio nome diz, fica responsável pela narrativa do jogo. Dessa forma, ele deve ter experiências nessa área para poder construir diálogos, cutscenes, comentários, dicas, tutoriais, e quaisquer outros objetos e interações com textos com os quais o jogador lidará ao longo do game. Tudo isso, claro, de forma que faça sentido com o estilo e a história do jogo.

Que curso fazer para se tornar um game designer

No Brasil e em diversos países pelo mundo já existem cursos específicos que apresentam os conhecimentos necessários para se tornar um game designer. São os famosos cursos que vemos com o nome “Game Design” ou “Curso de Jogos Digitais”.

Contudo, um game designer não necessariamente precisa ser formado nessas disciplinas para conseguir atuar na profissão.

Pelo contrário: é muito comum vermos game designers que vieram de formações como ciências da computação, sistemas da informação, design gráfico, arquitetura, design industrial ou análise e desenvolvimento de sistemas.

Um exemplo disso é o Sandro Tomasetti, da Cyber Rhino Studios. Formado em computação, ele tem experiência com design de games há quase 15 anos, cria jogos digitais e também para tabuleiros.

Existem muitos game designers que não tiveram essa profissão como primeira opção. Ou seja, tiveram uma transição de carreira para o mundo dos jogos. É o caso do cirurgião-dentista Walter Machado, criador do jogo de sucesso Ubermosh.

Em uma formação que nada tinha a ver com informática, desenvolvimento de jogos e nem com design gráfico, ele começou a estudar e a criar jogos utilizando a engine GameMaker: Studio em seu tempo livre e conseguiu criar um game que foi capaz de sustentar suas despesas por até dois anos.

E mesmo em profissões diferentes, o mais interessante sobre a carreira do game designer é que nem sempre é preciso ter uma graduação ou afinidade com a área de programação para conseguir prosperar nessa área.

No artigo abaixo, por exemplo, nós temos o exemplo de 6 desenvolvedores que iniciaram suas carreiras no mundo dos games cada um de forma e com experiências profissionais diferentes, olha só:

Quanto ganha um game designer

Em geral, um game designer iniciante poderia ganhar cerca de US$55 mil por ano e um mais experiente pode faturar até US$105 mil no exterior.

No Brasil, a estimativa é de que essa remuneração pode ficar em torno de R$1,2 mil a R$1,8 mil mensais para os menos experientes, podendo chegar aos R$4 mil mensais para os que já estão há mais tempo na área.

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Os 5 principais livros sobre Game Design

Livros sobre Game Design - Carreira de Game Designer

Ainda que você tenha muitas ideias para criar um game, é preciso sempre ter uma forma organizada de colocá-las em um projeto. E uma boa maneira de começar a fazer isso é lendo livros sobre Game Design.

A partir da consulta desses livros é possível não só conferir dicas para atuar nessa área, como também ver as histórias e experiências de outros profissionais que já passaram por essa carreira.

Veja a seguir os livros essenciais para quem quer estudar sobre essa área.

A Teoria da Diversão, por Raph Koster

O norte-americano Ralph Koster também é um game designer e em seu livro sobre a teoria da diversão (em inglês, A Theory of Fun for Game Design), ele busca ajudar os designers interativos a melhorar seus projetos de jogos a partir da arte e a prática de projetar para se divertir.

Kosher ainda fala sobre a ideia de que os jogos são essencialmente “edutainment”. Dessa forma, eles ensinam habilidades que o ser humano poderia precisar na vida real em um ambiente seguro.

O livro, então, pode servir como um guia e ao mesmo tempo um meio de discussão informativa para falar sobre a indústria de jogos e a forma como os projetos nessa área são desenvolvidos.

Onde comprar: disponível em inglês na loja da Amazon nas versões impressa e digital para Kindle.

A Arte de Game Design, por Jesse Schell

O Jesse Schell é professor de game design e também tem importantes trabalhos na indústria de games, entre eles o jogo do Toy Story.

Neste livro (em inglês, The Art of Game Design), o autor mapeia os conceitos e técnicas do game design, contando sobre os elementos mais importantes e dando exemplos práticos sobre todos os conceitos apresentados.

O leitor encontrará dicas sobre mecânicas de jogo, a experiência do jogador, como apresentar seu projeto (pitch), interação e diversas outras atividades que envolvem o game design.

Onde encontrar: é raro encontrar o livro em lojas online e livrarias, mas sua versão digital para Kindle está disponível na loja da Amazon.

Regras do Jogo – Fundamentos do Design de Jogos, por Eric Zimmerman e Katie Salen

Neste livro, os autores falam sobre a teoria de um design interativo inovador para o game design.

A obra é dividida em quatro volumes, sendo o primeiro para descrever os principais conceitos, e os demais com a discussão detalhada acerca de conceitos de regras, conceitos sobre jogar e cultura.

Onde encontrar: os quatro volumes podem ser encontrados traduzidos em português na loja da Saraiva e na Submarino.

Design de Games – Uma abordagem Prática, por Paul Schuytema

Quem procura um livro que gale sobre a arte do design de games poderá encontrar importantes conceitos neste livro de Paul Schuytema.

Nele o leitor confere quais são as habilidades necessárias para se tornar um designer de jogos e aprende sobre como equilibrar a mecânica de um jogo a partir de exemplos práticos utilizando o processo de desenvolvimento de um jogo e até a linguagem de programação Lua.

Onde encontrar: o livro pode ser encontrado na loja da Amazon, Saraiva e Americanas

Level Up – Um Guia Para o Design de Grandes Jogos, por Scott Rogers

Scott Rogers é um grande designer de jogos e está por trás de grandes sucessos como Pac-Man World, da série Maximo, e também tem participação em jogos como God of War, Darksiders e a série Dawn to Life.

O livro explica e ilustra os conceitos do design e as armadilhas comuns que os designers de jogos acabam enfrentando em seus projetos.

A partir da obra, é possível conferir dicas sobre como criar um jogo para atrair jogadores, como dar vida a personagens cativantes, como construir fases desafiadoras, e até criar os controles, cutscenes e combates do projeto de um um jogo.

Outro ponto interessante é que o livro também há dicas sobre como estruturar os documentos de design do game e como apresentar o jogo ao público ou investidores de forma profissional.

Onde encontrar: o livro pode ser comprado na loja da Amazon, Submarino e na Saraiva.

Game Designers brasileiros que vale a pena conhecer

A indústria brasileira de jogos cresce a cada ano e, com ela, a quantidade e estúdios, desenvolvedores independentes e empresas especializadas em publicação de games.

Para se ter uma ideia, hoje o Brasil ocupa a 4ª posição no mundo entre as nações que mais consomem jogos.

E, como os cursos de graduação em Game Design são ainda recentes no país, muitos brasileiros que sonhavam em trabalhar com jogos nos últimos vinte anos tiveram que aprender sobre desenvolvimento, arte, e game design de diferentes formas.

É o caso dos desenvolvedores Felipe Dal Molin, Mark Venturelli e da Thais Weller.

Mark Venturelli

Com quase 10 anos de experiência no mundo do desenvolvimento de games, Mark Venturelli atua tanto com a publicação de jogos indie como também participa do processo de game design em outras empresas, estando por trás de sucessos como o Chroma Squad, publicado pela Behold Studios.

Sua formação inicial, entretanto, nada tem a ver com design de jogos ou computação. Com bacharel em comunicação e mestrado em design, ele cofundou em 2010 seu primeiro estúdio de jogos, chamado Critical Studio, onde publicou o game Dungeonland.

Em 2013, ele fundou seu próprio estúdio independente, chamado Rogue Snail, com o qual já publicou o jogo Relic Hunters Zero.

Mais sobre Mark Venturelli em:

Felipe Dal Molin, co-fundador da Luderia

A história de Felipe Dal Molin exemplifica muito bem o fato do game design ser uma área de estudos nova no Brasil.

Com o sonho de fazer jogos desde 2004, o co-fundador da Luderia iniciou seus estudos em ciência da computação para aprender mais sobre programação.

No entanto, depois de perceber que essa não era sua área de interesse para trabalhar com games, ele acabou optando pela graduação em design industrial e decidiu buscar, por conta própria, outros conhecimentos necessários para chegar à carreira de game design.

Logo depois da faculdade, ele e mais dois colegas fundaram o estúdio de jogos Luderia, dando vida a projetos e publicando games de destaque no país como o Spooklands. “Tudo o que sabemos sobre criar jogos foi aprendido fazendo nossos jogos”, afirma Dal Molin em entrevista.

Para saber mais sobre a trajetória de Felipe Dal Molin e conferir suas dicas sobre game design acesse a entrevista completa no link abaixo:

Links úteis:

Thais Weller

A cofundadora da Joymasher, Thais Weller, também não tem uma carreira nada comum para o desenvolvimento de jogos.

Formada em design de moda e também em jornalismo, ela descobriu que poderia seguir carreira em games enquanto escrevia matérias sobre o assunto. E foi depois de decidir fazer um mestrado estudando game design que ela realmente passou a investir na área.

“No meu mestrado eu percebi que existe uma indústria de games, que era algo que eu não imaginava que tinha no Brasil. Antes eu achava que era uma coisa feita por gente de fora, com muito dinheiro”, afirma em entrevista.

Com um portfólio já cheio de jogos criados, Thais está por trás de cases de sucesso nos games brasileiros como as produções de Oniken e Odallus e chegou a dar aula sobre game design na Alpha Channel.

Confira a entrevista que a Thais Weller concedeu ao Produção de Jogos:

Saiba mais sobre a Thais Weller:

Mais carreiras no mundo dos games

Apesar de desempenhar um importantíssimo papel no desenvolvimento de jogos, não é só o Game Designer que tem o poder de tirar o projeto de um game do papel.

Já parou para pensar que além do planejamento do enredo e das mecânicas do jogo também é preciso montar cada fase e seus desafios? Essa seria a função de um Level Designer, por exemplo.

Equipes de estúdios também precisam de alguém que crie a arte do jogo, podendo contratar um artista com experiência em design gráfico ou até um designer industrial ou arquiteto que tenha experiência nas ferramentas de modelagem 3D.

Tem também uma parte importantíssima, que é a venda e distribuição do jogo. Para isso, é importante ter um profissional com conhecimentos ou formação na área de Publicidade e Marketing.

Para a divulgação do jogo na imprensa, um jornalista ou profissional de relações públicas também podem ganhar espaço nessa carreira.

Viu só? Essa é uma das maiores vantagens da área de games: profissionais de diversas áreas podem atuar nela sem necessariamente ser um desenvolvedor ou game designer.

Agora, caro leitor, se você quer saber mais sobre as diversas profissões que podem atuar nesse mundo, não deixe de assistir esta aula especial sobre como descobrir e fazer um trabalho que ama dentro da indústria de jogos.

Um abraço e até a próxima!

* crédito das imagens: Freepik.com

  • Fred Oliveira

    Excelente artigo como sempre.
    Dos livros citados, eu tenho o Level Up e a primeira edição “Regras do Jogo”, ótimos livros e pude aprender muito com eles.

  • Deiverson Silveira

    Muito bom artigo, chega a ser chocante a diferença salarial entre um game designer aqui no Brasil e o salario fora do Brasil, lembrando que um game designer que ganha R$ 4000,00, custa ao seu empregador, se adicionarmos uns 500 reais de vale refeição + 250 de plano de saude, custa na verdade R$ 6.865,56 para o empregador. (Provisão 13º salário R$ 333,33 + Provisão Ferias R$ 333,33 + Provisão 1/3 Férias R$ 111,11, FGTS R$ 320,00 + Provisão FGTS 13 + Ferias R$ 62,22 + INSS 20% R$ 800 + Provisão INSS 13º + Ferias R$ 155,56.) Só que o salario liquido do Game Designer que ganha R$ 4000,00, o liquido dele é R$ 3.380,80 (INSS 11% 440,00 + IRRF 15% R$ 179,20). Então no final das contas, um game designer que ganha R$ 4000,00 com 500 reais de vale refeição e 250 de plano de saude, vai receber R$ 3380,80 e o governo vai abocanhar R$ 3484,76, mais do que o proprio valor liquido do salario do funcionário. É um salario liquido para o funcionário e 1 salario liquido maior para o governo. Se minhas contas estiverem corretas, o custo em impostos é altíssimo aqui no Brasil.

  • Huerlen Borges

    É sempre complicado quando começamos um projeto e lhe damos com o fato de trabalha sozinho, acabamos vendo que o game design acaba se envolvendo em todas as etapas do projeto, sabemos que as coisas são difíceis no começo mais mais adquirir mais conhecimento sobre o assunto sempre vai nos ajudar e ter um ponto de vista deferente sobre certos aspectos.

    Além do mais nosso estúdio lançou o primeiro projeto graças as dicas do Produção de jogos.

    https://play.google.com/store/apps/details?id=geek.estudio.abc&hl=pt_BR