GIMP – Guia Completo do Iniciante [2018]

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O GIMP é um programa de edição de imagens de código aberto, gratuito e multiplataforma que você pode utilizar para criar e editar a arte dos seus jogos.

Nesse artigo você verá como pode utilizar o GIMP no desenvolvimento do seu jogo (inclusive para Pixel Art) e dicas práticas de como começar a utilizar a ferramenta.

Leia o artigo completo para ver:

Vamos começar…

Como o GIMP pode ajudar no desenvolvimento do seu jogo

Como o gimp pode ajudar no desenvolvimento do seu jogo

As características mais marcantes do GIMP são, sem dúvidas, o fato de ser open source e gratuito.

Sua interface é simples, mas amigável, e ele conta com recursos de nível profissional e suportar vários formatos de arquivos. Isso significa que você poderá abrir arquivos de outros programas (Photoshop, por exemplo), no GIMP.

O GIMP é uma ferramenta bem flexível que permite desde ações básicas, como retoque de imagens até a integração com linguagens de programação, como por exemplo, Scheme, Python e Perl.

Um dos grandes diferenciais do GIMP é justamente o fato de ser open source. Dessa forma, seus usuários podem modificar/adaptar as configurações e plugins para atendê-los da melhor maneira.

Um resultado famoso que nasceu a partir disso é o GIMP Paint Studio. Ele é um conjunto de extensões, pincéis e texturas de cores para deixar a versão “de fábrica” do GIMP mais completa.

No desenvolvimento de jogos, o GIMP tem recursos para que você possa criar ícones, elementos de design gráfico e arte 2D.

Você também editar animações trabalhando os sprites em camadas separadamente.Além disso, ele também é uma alternativa para quem está interessado em criar Pixel Art (mais sobre isso daqui a pouco).

Comparação com outras ferramentas

Comparando o GIMP com outras ferramentas

Pelo GIMP ser um editor de imagem, a primeira comparação que surge é com o Photoshop por ser o programa mais conhecido para esse objetivo.

Uma grande vantagem é que o GIMP é gratuito e possui basicamente as mesmas ferramentas.

Além disso, o GIMP atende usuários de Linux, enquanto o Photoshop é voltado para Windows e macOS.

No entanto, usuários costumam reclamar da interface e da experiência de usuário quando comparado ao Photoshop.

Uma desvantagem é que não trabalha com o sistema CMYK (sistema de cores subtrativas utilizado em imprensa, impressoras e fotocopiadoras), então pode não ser uma opção tão viável para quem quer trabalhar com material impresso.

Por outro lado, como o GIMP aceita instalação plugins de terceiros para acrescentar funcionalidades, você pode instalar o plugin Saparate que converte RGB em CMYK para te dar mais possibilidades.

Temos também alternativas como o Paint (Windows) e o Pinta (Linux), que são programas como funções básicas para realizar edições de fotografias e imagens. Permitem realizar retoques de imagem de maneira rápida e sem muitos recursos profissionais.

Comparado com o Paint e o Pinta, o editor GIMP conta com mais recursos e tem permite um nível de uso mais profissional.

Outra alternativa é o Krita, que tem como foco a pintura digital. Esse programa utiliza como base o código fonte do GIMP com modificações e também é bastante utilizado quando o assunto é Pixel Art.

Começando a usar o GIMP

Começando a usar o GIMP

Nessa seção você verá como instalar o programa e também suas principais ferramentas de trabalho.

Requisitos de funcionamento da ferramenta

O GIMP conta com instaladores para Windows, macOS e Linux (via Flatpak).

A versão estável atual do GIMP é 2.10.0 e está disponível apenas para Windows e Linux.  Caso seu sistema operacional seja macOS, a versão estável recomendada é a 2.8.

O instalador traz versões de 32 bits e 64 bits do GIMP, mas não se preocupe com isso, pois o instalador usará automaticamente a versão apropriada.

Esse editor não necessita de um sistema operacional muito sofisticado, pois é leve (cerca de 150mb) e roda na maioria dos computadores atuais com facilidade.

Rodando o GIMP no pendrive

Uma opção interessante é usar a versão portátil do programa GIMP, que roda diretamente no pen drive (ou qualquer dispositivo de armazenamento) sem precisar instalar.

Instalando o editor

Para começar a utilizar o GIMP, o primeiro passo é baixar versão da ferramenta compatível com o seu sistema operacional. Para isso, acesse: https://www.gimp.org/downloads/.

Você pode escolher entre a versão normal ou a versão portátil do GIMP, preparada para rodar direto de pen drives ou outros dispositivos equivalentes.

Ao finalizar o download, clique no executável para instalar o programa. Você notará que a primeira coisa a ser feita é definir o idioma. O GIMP traz o português nativo, então é só escolher a opção desejada e clicar em OK.

Instalando o GIMP selecionando idioma

Na sequência, note que aparece uma opção para Personalizar e outra para Instalar.

Caixa de instalação do programa

Você pode clicar em Instalar direto ou em Personalizar para escolher os componentes que deseja incluir. Caso queira personalizar, marque ou desmarque as opções na caixa de seleção e clique em avançar.

Personalizando configurações do GIMP

Um ponto importante durante a instalação é selecionar os tipos de arquivo que você deseja associar com o GIMP. Esse passo é fundamental para que consiga abrir arquivos de outros programas, como Photoshop e Corel, por exemplo.

Personalizando tipos de arquivos na instalação

Ao finalizar a instalação, clique em Concluir e pronto! O programa estará disponível para uso. Localize o programa no seu computador e abra para conhecer a interface do editor.

Conhecendo a interface

A interface do GIMP é bem amigável e intuitiva, pois segue o padrão de outros programas de edição de imagem em relação à disposição dos recursos.

Na lateral esquerda temos as ferramentas de edição.

No centro você verá a tela de pintura.

Já na lateral direita estão as configurações gerais (camadas, canais, pincéis, texturas, fontes entre outros).

Para criar uma nova imagem, basta no Menu superior e clicar em Arquivo -> Nova. Ainda no menu Arquivo, você tem a possibilidade de abrir um arquivo já existente, além de ações básicas como gravar, salvar e exportar.

Interface do GIMP

Conhecendo as ferramentas de trabalho

Como o GIMP traz uma versão em português nativo, fica mais fácil compreender as funcionalidades de cada ferramenta se você não está acostumado com os termos em inglês.

Basta passar o mouse em cima da ferramenta para saber para que ela serve.

Vamos conhecê-las?

Seleção Retangular (R) – usada para selecionar uma região retangular.

Seleção Elíptica (E) – usada para selecionar um círculo ou elipse.

Seleção Livre (F) – serve para desenha a mão livre a área que deseja selecionar.

Seleção Contígua (U) – com essa ferramenta você seleciona uma região próxima/adjacente com base em cores similares.

Seleção por Cor (Shift+O) – seleciona regiões da imagem com cores similares.

Seleção com Tesoura (I) – seleciona uma forma encontrando as bordas de forma inteligente.

Seleção de Frente – com essa ferramenta você pode selecionar objetos na imagem, separando-os do fundo.

Vetores (B) – criar e editar curvas vetoriais.

Seleção de cores (O) – ajusta as cores para pintar a partir de cores na imagem.

Zoom (Z) – ajusta o nível de zoom da imagem.

Medidas (Shift+M) – mede distância e ângulos na imagem.

Movimento (M) – move camadas, seleções e outros objetos.

Alinhamento (Q) – alinha ou arranja camadas e outros objetos.

Corte (Shift+C) – corta as laterais de imagens e camadas.

Transformação Unificada (Shift+T) – transforma a camada, seleção ou caminho.

Rotacionar (Shift+R) – gira livremente a camada, seleção ou vetor.

Redimensionar (Shift+S) – altera o tamanho da camada, seleção ou vetor.

Inclinar (Shift+H) – inclina a camada, seleção ou vetor.

Transformar com pegas (Shift+L) – deforma a camada seleção ou caminho, basta ir clicar com o mouse e ir arrastando na tela para transformar.

Perspectiva (Shift+P) – muda a perspectiva da camada, seleção ou vetor.

Inverter (Shift+F) – inverte a camada, seleção ou vetor horizontal e verticalmente.

Transformação com gaiola (Shift+G) – deforma uma seleção usando uma gaiola.

Deformação (W) – deforma com diferentes ferramentas.

Texto (T) – cria ou edita camadas de texto.

Preenchimento (Shift+B) – pinta uma área com cor ou textura.

Gradiente (T) – preenche a área selecionada com a cor do gradiente.

Lápis (N) – desenha com traço duro usando um pincel.

Pincel (P) – desenha com traço suave usando um pincel.

Borracha (Shift+E) – apaga cor de fundou ou transparência.

Aerógrafo (A) – pinta a imagem com pressão variável.

Tinta (K) – Pintura em estilo caligráfico.

MyPaint (Y) – espalha a tinta com pinceladas suaves.

Clonagem (C) – copia trechos de uma imagem ou textura.

Restauração (H) – recupera irregularidades na imagem.

Clonagem em perspectiva – copia de uma imagem original aplicando uma transformação de perspectiva.

Desfocar/Deixar nítido (Shift+U) – altera sutilmente uma imagem.

Borrar (S) – borra a imagem usando pinceladas.

Exposição (Shift+D) – clareia ou escurece uma imagem.

No menu lateral direito temos as configurações de pincéis, texturas e fontes.

Para utilizar a caneta ou pincel, por exemplo, selecione a opção escolhida no menu de ferramentas (lateral esquerda) e depois escolha o tipo de pincel mais adequado à sua necessidade.

Para usar a configuração de texturas, escolha a ferramenta de preenchimento e marque o tipo de preenchimento (lateral esquerda, logo abaixo do menu de ferramentas).

Depois clique na textura desejada (lateral direita) e, a seguir, na área a ser preenchida.

Caso a caixa de diálogo da textura não esteja aberta, é só clicar em Configurar Aba -> Adicionar Aba e escolher a opção de textura.

Esse caminho serve para configurar outras opções de ferramentas também.

Opções de configurações de ferramentas

Importante: note que sempre que você selecionar um tipo de ferramenta será aberta uma aba de configurações logo abaixo. É nessa aba que conseguirá customizar a ferramenta para deixá-la mais alinhada a sua necessidade.

Na imagem abaixo temos um exemplo de como funciona, sendo que o item 1 é a ferramenta e o item 2 é a aba de configurações dela.

Configurações de ferramenta selecionada no GIMP

Versão 2.10

A versão 2.10 do GIMP trouxe melhorias significativas na interface do usuário, como novos temas e suporte básico para telas HiDPI.

Nas camadas e máscaras, o editor conta agora com mais 3 modos de mistura de camadas, sendo eles:

  • Modo LHC (Matiz, Saturação e Luminosidade)
  • Modo de translucidez para grupos de camadas, e
  • Queima Linear, Luz Vívida, Luz Fixa, Mistura Dura, Exclusão, Combinar e Dividir.

Uma boa notícia é que os vetores, camadas e canais também podem ser marcados com cores, melhorando assim a organização do projeto.

Isso será ainda mais útil quando a Equipe de Desenvolvimento do GIMP adicionar a opção de seleção de múltiplas camadas em breve nas próximas versões.

Além disso, o usuário tem um maior controle sobre as camadas usadas e consegue aplicar máscaras em grupos de camadas.

Outro ponto relevante dessa versão é que o processamento de imagens é feito quase completamente com a GEGL (Biblioteca Gráfica Genérica, em tradução livre). Isso possibilita a produção de imagens com mais qualidade, junto com melhor desempenho do programa. Além disso, essa versão traz mais de 80 filtros desenvolvidos em GEGL.

Como criar Pixel Art no GIMP

Como criar Pixel Art no GIMP

Se você procura uma ferramenta que permite trabalhar com diversos tipos de imagens e fazer diferentes coisas, o GIMP é uma ótima solução para você criar Pixel Art.

Existem ferramentas específicas para Pixel Art, mas alguns artistas acabam preferindo usar programas menos específicos porque assim conseguem uma liberdade maior.

Para obter melhores resultados criando a sua pixel art no GIMP, crie uma nova imagem com as configurações especificamente adaptadas ao seu projeto de pixel art. Assim, você evita se perder em meio a tantas ferramentas e deixa a área de trabalho mais limpa e intuitiva.

O primeiro passo é definir quais recursos queremos habilitar/desabilitar para criar a nossa pixel art, como cor, navegação, pontos, anti-aliasing.

Eu separei um tutorial mostrando como você faz as alterações no GIMP para começar a criar pixel art nele:

O uso do GIMP em jogos publicados

O uso do GIMP em jogos já publicados

SuperCity

É um jogo desenvolvido para redes sociais, em especial o Facebook, que tem mais de 17.000.000 players. Produzido pelo studio Playkot, o objetivo desse game é levar o jogador a construir a sua própria cidade! O interessante desse jogo é que ele foi todo produzido a partir de softwares livres como o Blender, o Krita e o GIMP foi utilizado na fase inicial de desenvolvimento.

Para jogar, acesse: https://apps.facebook.com/super_city_game/#_=_

Sokoban Garden 3D

Já o estúdio indie Kivano Software lançou o Sokoban Garden 3D, um jogo de quebra-cabeça clássico em 3D também criado apenas com software livre e que usou o GIMP para a edição dos sprites. Está disponível para download na Google Play: https://play.google.com/store/apps/details?id=net.kivano.sokobangarden

Grandpa’s Table

Também desenvolvido pelo studio Kivano, o Grandpa’s Table é um jogo de lógica que conta com gráficos 3D e mais de 150 levels. Está disponível no Steam: https://store.steampowered.com/app/471570/Grandpas_Table/

O seu próximo passo

Se você tem interesse na em arte gráfica de jogos e em especial em Pixel Art, eu criei um guia especial que mostra:

  • Tudo o que precisa saber antes de começar a criar Pixel Art para seus próprios jogos;
  • As principais técnicas empregadas ao criar gráficos em Pixel Art;
  • Os programas e serviços online indicados para criar esse tipo de arte (o GIMP e outros);
  • Onde encontrar tutoriais e artistas para aprender mais sobre esta forma de arte!

É só preencher com seu nome e email abaixo para que eu possa enviar para você:

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