Como conseguir um emprego na indústria de jogos

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Com o crescente número de investimentos e financiamentos que vêm acontecendo no setor de jogos brasileiro, as empresas precisam cada vez mais recrutar novos colaboradores para suas equipes.

O que fazer então para conseguir um emprego em uma dessas empresas de jogos?

Essa é uma das dúvidas que eu mais recebo dos inscritos aqui no blog e, pensando nisso, eu decidi escrever este artigo (que é gigante e tem uma tonelada de informações importantes, então pega um café aí!).

Aqui nós vamos passar juntos por 5 fases que podem te levar do zero até a conquista de um emprego na indústria de games.

Para você entender o que vem pela frente, essas são as etapas através das quais eu vou te guiar neste artigo:

Preparado? Então bora começar.

Fase 1: Saiba onde você quer chegar e desenvolva suas habilidades

Tem uma frase que eu gosto muito e acredito ser perfeita para começarmos esse papo: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe onde quer chegar”.

O primeiro passo para alcançar qualquer coisa na vida é definir com clareza o seu objetivo.

Como esse artigo tem o fim prático de te ajudar a conseguir um emprego na indústria de jogos, meu conselho é que você pense em objetivos de curto e médio prazo.

Algumas perguntas que você pode se fazer para ter mais clareza de onde quer chegar são:

  • Em que tipo de empresa você quer trabalhar? Numa empresa pequena, remota, internacional, já reconhecida por seus jogos…? Por que?
  • Qual função você quer exercer? De acordo com as habilidades que você já tem ou pretende adquirir, você deseja atuar como programador, artista, sound designer, … ? Por que você escolheu essa função e o que exatamente você precisa estudar para alcançá-la?
  • Com qual tipo de jogo você gostaria de trabalhar? Casual, indie, mobile, VR, … ?

Pause agora a leitura deste artigo e tire 5-10 minutos para refletir e responder as perguntas acima.

Sério, responde agora aí! Esse é o seu primeiro passo para obter mais clareza do que realmente importa pra você nessa carreira. Abra um documento no computador ou pegue um caderno, copie as perguntas, reflita sobre elas e responda logo abaixo.

Neste artigo eu vou te dar várias estratégias e táticas passo-a-passo para você implementar e aumentar as suas chances de conseguir um emprego na indústria de games.

Então não deixe de anotar tudo e, mais importante, implementar as dicas que eu vou te passar. É assim que você conseguirá dar seus primeiros passos nessa carreira.

Aliás, se você quiser que eu te guie nesse processo, você pode também entrar na lista de espera do curso Modo Carreira.

Tendo clareza sobre onde você quer chegar na indústria de games (Lembre-se: pense em objetivos de curto/médio prazo e não no seu “emprego dos sonhos” por enquanto), o próximo passo é desenvolver as suas habilidades para chegar lá.

E quando eu falo em “habilidades” eu me refiro a habilidade técnicas e não-técnicas também.

Eu vou te falar o que fazer em cada caso, mas vamos começar pelas habilidades técnicas…

Desenvolva uma habilidade técnica para trabalhar com jogos

Depois de estabelecer onde você quer chegar, é hora de desenvolver suas habilidades. Eu recomendo que você foque em uma habilidade técnica e pelo menos três habilidades pessoais.

A habilidade técnica é aquela que lhe permitirá realizar tarefas em um projeto de games com um conhecimento bem específico. Ou seja: uma habilidade técnica para quem deseja ser programador, por exemplo, é aprender a programar muito bem em C#.

E eu reforço que você foque em apenas uma habilidade técnica por um motivo bem simples: use todo o seu tempo para buscar ser excelente nela.

Não que não seja interessante possuir diversas habilidades. Mas pense da seguinte forma: se você for apenas “mais ou menos” em um monte de coisa, você não terá nada para destacar a seu favor e  provavelmente será mais difícil ser contratado.

O seu diferencial estará em ser um profissional nota 10 na área em que você escolher se especializar. Então, dedique seus esforços em aprimorar ao máximo essa habilidade técnica, pois o mundo já está cheio de pessoas com habilidades nota 7. Sem contar que isso te dará mais clareza na hora de aplicar para vagas de emprego.

Ainda com esse foco em mente, busque aprender como essa capacidade se combina com as demais. Se você é um artista gráfico, por exemplo, aprenda como diferentes qualidades da imagem influenciam na performance do jogo, como otimizar gráficos da melhor forma para cada dispositivo, etc.

Desenvolva suas habilidades pessoais e se torne um bom profissional

O conhecimento técnico não é a única qualidade que contará na hora de uma empresa avaliar se dará uma chance ou não para você. As habilidades pessoais também são importantes e muitas vezes são deixadas de lado.

Inclusive, elas podem ser o fator decisivo na disputa por um emprego com outros candidatos: é bem possível que um profissional com menos habilidade técnica passe na frente de outros mais capacitados por ter mais habilidades pessoais como diferencial.

E se você ainda não está convencido, vou destacar aqui o que alguns estúdios de jogos que participaram de um questionário aqui do Produção de Jogos comentaram sobre o tipo de perfil que eles procuram:

Ser empenhado e ter energia de sobra, saber trabalhar em equipe e ser comunicativo, além do bom humor, claro!” – Kairos Game Studio

“A coisa mais importante pra gente é que haja sinergia entre todos, pois acreditamos que um grupo que compartilha interesses e se diverte junto, vai gerar um ambiente mais propenso à criação de jogos divertidos e criativos.” – Lucas Thiers, da Double Dash Studios

“Esperamos que [o profissional] dê suas opiniões e defenda elas com seu ponto de vista, seja estagiário ou sênior. Trabalho em equipe, multidisciplinaridade, comunicação e respeito às diferenças também são fundamentais.” – Fira Soft

“É preciso ter proatividade e disciplina para trabalhar em home office.” – Pablo Ramon, da Ni Digital Studio

Viu só? Basicamente, de nada adianta você ser um ótimo programador se você não tiver uma boa comunicação com a equipe, não souber respeitar prazos ou não souber ser criativo para solucionar problemas que possam surgir ao longo de um projeto.

Por isso, veja alguns exemplos que você pode começar a desenvolver ou aprimorar daqui para frente: trabalho em equipe, capacidade de liderança, assertividade, gestão de tempo, resiliência, boa comunicação, proatividade e atitude positiva.

É claro que algumas pessoas possuem mais facilidade em adquirir certas habilidades e outras não, mas todas podem ser desenvolvidas e aperfeiçoadas.

Fase 2: Desenvolva seu portfólio

Na indústria de jogos, um dos atributos mais importantes para um candidato é o portfólio (e não o diploma, como em outros mercados mais tradicionais).

No artigo “Como trabalhar com jogos sem ter formação na área” eu entrei em detalhes e dei sugestões específicas sobre como criar e nutrir um seu portfólio mesmo sem ter experiência nenhuma.

Eu não vou repetir tudo aqui (leia o artigo original aqui), mas vou resumir as sugestões que dei pra criação de portfólio:

  • Participe de game jams: esses eventos te dão a chance de criar novos contatos e de sair com um jogo pronto para ser colocado em seu portfólio em um curto espaço de tempo;
  • Crie “pedaços de jogos”: essa é uma forma de mostrar a sua melhor habilidade sem perder muito tempo. Você pode programar uma mecânica específica de um jogo e mostrar esse script, ou criar ilustrações, modelos 3D e partes de uma trilha sonora;
  • Trabalhe em projetos não remunerados: nesse caso, para não cair em armadilhas, busque projetos de empresas onde você gostaria de trabalhar ou que admira e faça com que essa experiência conte em seu currículo e portfólio;
  • Crie simples jogos autorais: criar um jogo autoral te dá a liberdade criativa para dar vida aos projetos que você mais gostaria de fazer e ainda conta pontos em seu currículo;
  • Crie assets: assim como os pedaços de jogos, essa pode ser uma maneira de acrescentar mais itens ao seu portfólio e de ganhar um dinheiro extra com a venda de elementos para jogos;
  • Escreva artigos e guias sobre o assunto: não é necessário botar a mão na massa para mostrar a sua expertise. Você pode escrever um guia ou tutorial sobre o assunto que domina em sites e blogs especializados e tornar o seu nome mais reconhecido no mercado;

Aqui nesse artigo eu quero ir um nível além e te dar algumas dicas adicionais. Para isso, eu vou usar como base algumas respostas que recebi de donos de empresas de games, quando eu os perguntei sobre como contratam novas pessoas (os destaques nas frases abaixo são meus).

Vamos lá, então:

1ª recomendação: Facilite ao máximo o acesso ao seu portfólio. Não faça as pessoas precisarem baixar algo para conseguir ver o seu trabalho.

“O quesito número um, independentemente da área de atuação, é o portfólio com trabalhos de qualidade e que estejam com fácil acesso, que o recrutador não precise fazer download ou algo do tipo.” – Fernando Colombo de Almeida, da FireHorse

De nada adianta você construir um ótimo portfólio se ele não for facilmente acessado por qualquer estúdio de jogos.

Já existem sites e plataformas online otimizadas para inserir desde animações, gráficos e trechos de vídeos até códigos em qualquer linguagem.

E não se esqueça de garantir que o seu nome e dados de contato também estejam facilmente visíveis em sua página/ arquivo de portfólio.

2ª recomendação: Não dimensione suas habilidades em números ou porcentagens

“Outros erros ao meu ver mas que é muito geral e não se encaixa só na indústria de jogos é quando a pessoa coloca porcentagens de conhecimento em determinadas áreas/ ferramentas/ conceitos/ habilidades/ etc. Ao meu ver é horrível e eu já fico com pé atrás porque simplesmente não dá pra medir conhecimento. As pessoas estão (ou deveriam estar) em constante aprendizado, ou seja, essa porcentagem nunca deveria ser 100% (e já recebemos muitos currículos marcando 100%).” – Guilherme Mazzaro, da Behold Studios

Essa recomendação vale tanto para o seu portfólio quanto para desenvolver suas habilidades pessoais.

Demonstrar vontade de aprender e ter proatividade é um fator essencial para seleção de profissionais de qualquer setor. Nenhuma empresa (e nem ninguém) gosta de conviver com gente que transmite arrogância.

3ª recomendação: Selecione seus trabalhos com foco no tipo de carreira que quer seguir

“Um erro grave, em artistas, é a seleção mal pensada de peças de portfólio. Colocar todos os trabalhos que você já fez, em vez de selecionar seus melhores trabalhos, é um erro grave. Também costumo recomendar que o portfólio seja bem focado. Que um artista, por exemplo, não coloque uma sessão enorme de design de cenários, se o foco que ele deseja trabalhar é com animação, por exemplo. Alguns portfólios tem trabalhos com um foco muito diluído, e fica difícil perceber quais são os pontos fortes ou até os maiores interesses daquele artista.” – Lucas Thiers, da Double Dash Studios

Bom, o relato do Lucas já exemplifica muito bem, mas eu vou reforçar aqui: não adianta você querer ser contratado como programador em C# e divulgar trabalhos focados em outras linguagens ou habilidades.

Além disso, priorize a qualidade do seu trabalho em vez da quantidade. Não é porque você tem 100 itens dentro do seu portfólio que você necessariamente domina um assunto. Às vezes vale mais a pena você divulgar um projeto muito bem feito do que vários trabalhos menores e sem tanta significância.

4ª recomendação: Pratique suas habilidades e busque feedback de pessoas mais experientes

“Eu fiz muitas animações em pixel art para praticar em casa, e montei um portfólio com elas, compartilhei na internet, busquei ajuda de gente mais experiente. Também participei de game jams e preparei pequenos protótipos para exercitar game design, geração de mecânicas e afins. Faça isso, pratique, se aperfeiçoe em casa, pois esse seu interesse independente em crescimento profissional vai chamar atenção.” – Lucas Thiers, da Double Dash Studios

Essa recomendação é complementar às duas anteriores: ninguém é 100% capacitado em alguma coisa. Portanto, pratique constantemente a sua especialidade de interesse.

E se você ficar em dúvida se o seu portfólio é realmente focado na área desejada, tente falar com os profissionais mais experientes nessa habilidade e pedir feedback. Mostre os seus trabalhos para essas pessoas e pergunte a elas se o portfólio realmente demonstra a habilidade que você tem desenvolvido com clareza (e, se elas te contratariam por isso).

E, por fim, a 5ª recomendação: Coloque o MELHOR de si mesmo em seu portfólio

“Estude as principais ferramentas ou linguagens por conta própria. Desenvolva. Faça um portfólio que você tenha orgulho de mostrar.“ – Mariano Maia, da Sotero Tech

A fala do Mariano da Sotero Tech é autoexplicativa: lembre-se de que o portfólio na maioria das vezes é a primeira coisa que os donos de estúdio de jogos verão antes mesmo de te conhecer. Então é melhor garantir que essas pessoas tenham uma ótima primeira impressão sobre você.

Com um portfólio desenvolvido, está na hora de você entrar na próxima fase: buscar uma vaga numa empresa de games.

Fase 3: Onde encontrar vagas em empresas de jogos (ou como “criar” a sua própria vaga)

O mercado de jogos é novo, dinâmico e altamente conectado. Por isso, o modelo tradicional de procurar vagas em banco de dados genéricos ou enviar o mesmo currículo para todas as vagas não vai funcionar bem nessa indústria (aliás, isso ainda funciona BEM em algum lugar?).

Mas, então, onde encontrar as ofertas de emprego das centenas de empresas de jogos que temos no Brasil?

Veja algumas opções a seguir:

Sites de empresas

Vários estúdios de games possuem uma seção de “vagas” ou “jobs” em seus sites. Lá eles colocam as vagas que possuem em aberto no momento e explicam o que você precisa fazer para se candidatar a elas.

Veja por exemplo o site dessas três empresas de games brasileiras e onde elas anunciam novas vagas:

Vagas de emprego em empresas de jogos - Hoplon Vagas de emprego em empresas de jogos - Aquiris Vagas de emprego em empresas de jogos - Cupcake Entertainment

Se você está querendo um emprego na indústria, eu sugiro ainda que você crie um “sistema” para garantir que não vai deixar passar nenhuma vaga interessante.

Para isso, siga esses quatro passos:

  1. Vá no Mapa da Indústria de Jogos e selecione algumas das centenas de empresas cadastradas lá, de acordo com seus objetivos profissionais. Nem todas as empresas possuem um site, mas pesquise e anote as que possuem;
  2. Vá no site de cada empresa e procure por alguma página com as vagas de emprego. Geralmente os nomes usados são “vagas”, “trabalhe conosco” ou algo parecido;
  3. Anote em uma planilha todos os sites de empresas que possuem uma página de vagas abertas;
  4. Crie um alerta semanal no seu calendário para verificar se alguma vaga nova e interessante surgiu nas empresas que você selecionou.

Pronto! Dessa maneira você terá grandes chances de ficar sabendo de uma vaga logo nos primeiros dias em que ela ficou disponível (o que já aumenta um pouco suas chances de conseguir a vaga).

Redes sociais e fóruns

Muitas empresas de games costumam divulgar oportunidades de trabalho em grupos ou em suas páginas do Facebook, Twitter ou LinkedIn. Por isso, esteja conectado com as empresas onde deseja trabalhar nas redes sociais e faça parte de grupos específicos de profissionais da área.

Para te dar um “quick start”, aqui estão algumas empresas brasileiras que você pode começar a seguir agora mesmo:

  1. Anima Games (Facebook)
  2. Aquiris Game Studio (Facebook | Twitter)
  3. Behold Studios (Facebook | Twitter)
  4. Black Jak Studios (Facebook)
  5. Cupcake Entertainment (Facebook | Twitter)
  6. Cyber Rhino Studios (Facebook | Twitter)
  7. Double Dash Studios (Facebook | Twitter)
  8. Fira Soft (Facebook | Twitter)
  9. Fire Horse (Facebook | Twitter)
  10. Grumpy Panda Studios (Facebook)
  11. Hoplon (Facebook | Twitter)
  12. Imgnation Studios (Facebook | Twitter)
  13. Jungle Digital Games (Facebook | Twitter)
  14. Kairos Game Studio (Facebook | Twitter)
  15. Kinship Entertainment (Facebook | Twitter)
  16. Kukoala Game Studio (Facebook)
  17. Lumentech Games (Facebook)
  18. Ni Digital Studio (Facebook)
  19. Palmsoft (Facebook)
  20. Pixfly (Facebook | Twitter)
  21. Sotero Tech (Facebook | Twitter)
  22. South Box Studio (Facebook | Twitter)
  23. Sunland Studios (Facebook | Twitter)
  24. TDZ Games (Facebook | Twitter)
  25. The Glitch Factory (Facebook | Twitter)
  26. Trixter (Facebook | Twitter)
  27. P8G (Facebook | Twitter)
  28. 8e7 (Facebook | Twitter)
  29. Webcore (Facebook | Twitter)
  30. Zug Studios (Facebook | Twitter)

Uma tarefa um pouco mais difícil é decidir quais grupos de facebook e linkedin valem a pena acompanhar. Afinal, dá bem mais trabalho frequentar e interagir em um grupo de discussão.

Então a estratégia que eu recomendo que você siga para isso é a seguinte:

  1. Entre em todos os grupos de Facebook e LinkedIn sobre desenvolvimento de jogos;
  2. Frequente esses grupos ativamente durante algumas semanas para entender a dinâmica e quem os frequenta (muitos grupos aparentemente informais são frequentados por donos de grandes empresas de games);
  3. Selecione os 20-30 grupos mais ativos e onde os profissionais da indústria mais interagem e saia de todos os restantes (afinal, você quer continuar tendo uma vida, certo?).

Fazendo o que eu recomendei nos últimos parágrafos você provavelmente ficará sabendo quando alguma empresa de games divulgar uma vaga disponível nas redes sociais.

Vamos agora para a próxima estratégia!

Rede de contatos

Existe um número enorme de oportunidades de trabalho da indústria de games que não chegam a ser anunciadas. Isso porque ao precisar de alguma especialidade específica os estúdios de jogos frequentemente recorrem aos contatos que já têm para pedir referências ou indicação de profissionais de confiança.

E como conseguir essas vagas “ocultas”?

Bem, essa é uma vantagem competitiva que será alcançada por meio do cultivo de um bom networking e pode levar um tempo até render frutos.

O que você pode fazer agora mesmo é começar a frequentar eventos e buscar contatos online e presencialmente. E nada de apenas trocar e distribuir cartão: construa um relacionamento com as pessoas mais próximas das empresas onde você gostaria de trabalhar.

Outra forma é construir um networking com as pessoas que têm muitos contatos com as empresas de jogos. Pense da seguinte forma: é mais fácil você se conectar com um contato que conheça 50 donos de empresas do que se tornar conhecido por esses donos de 50 empresas.

Como “criar” a sua própria vaga de emprego

Mesmo explorando os itens acima você ainda dificuldades para encontrar uma vaga na indústria de jogos.

Isso acontece porque muitos estúdios de jogos acabam tentando recrutar primeiro pelo networking, com indicações de contatos em que confiam, e depois

Agora, eu ainda vejo um último caminho para encontrar uma vaga, mas nesse caso seria mais “criar a sua própria vaga”. Esse é um método difícil, mas pode funcionar principalmente porque quase ninguém faz:

  1. Busque extensivamente empresas de games (use o Mapa da Indústria de Jogos para isso) e faça uma lista das que mais te interessam;
  2. Estude a fundo cada empresa. Jogue seus jogos, leia o site, veja entrevistas com os donos e tente descobrir a missão da empresa e suas dificuldades atuais;
  3. Selecione estúdios onde você possa dar sua maior contribuição (Ex.: uma empresa com jogos de sucesso para PC que esteja entrando agora no mercado mobile e você é um desenvolvedor com experiência mobile);
  4. Prepare um currículo/ portfólio especialmente para cada empresa de acordo com as habilidades que você quer destacar;
  5. Entre em contato dizendo que conhece bem a empresa, tem acompanhado o trabalho deles e sabe que pode ajudar em “insira-o-objetivo-da-empresa-aqui”, pois você é um especialista em “habilidade-necessária-para-atingir-objetivo”. Isso vai demonstrar uma maturidade e nível de profissionalismo completamente acima da média. Provavelmente você irá impressionar um monte de empresas e potencialmente conseguir um emprego.

Fase 4: Como se preparar para uma entrevista de emprego num estúdio de games

Se você chegou até essa fase: parabéns! Ser chamado para uma entrevista em um estúdio de jogos indica que seu portfólio chamou a atenção daquela equipe e, sobretudo, que você foi considerado para a vaga.

No entanto, conseguir a sua primeira entrevista é apenas o começo. Ainda existem algumas coisas que você pode fazer para aumentar ainda mais suas chances de conseguir aquele trabalho.

O Gabriel Stürmer, que é CMO da desenvolvedora Cupcake Entertainment, já até listou uma série de dicas para os candidatos se prepararem melhor ao aplicar para uma oportunidade em uma empresa de games.

Eu acho essas dicas do Gabriel excelentes e diretas ao ponto. E, por isso mesmo, vou tomá-las como base e expandi-las abaixo.

Avalie suas habilidades e as requeridas pelo cargo

Ao anunciar uma vaga as empresas geralmente seguem um padrão parecido: criam uma lista em bullet points com os principais requisitos para aquele trabalho.

Nota importante aqui: para você ter se candidatado, é claro que você já precisa ter se identificado com os itens da oferta e com o papel a ser desempenhado no emprego em si (não preciso dizer aqui que você não deve se candidatar para uma vaga de programação se você quer trabalhar com arte gráfica, certo?).

Logo, ao ser chamado para a entrevista volte a essa lista e preste um pouco mais de atenção às principais habilidades da função para analisar em quais delas você mais se destaca.

Por exemplo: se pedem alguma linguagem de programação específica para uma vaga de Programador, como C#, tente levantar os projetos, cursos ou trabalhos que você já fez utilizando ela para contar ao entrevistador.

A ideia é que você busque pontos em que você se destaca em sua habilidade única para lembrar de reforçá-los quando estiver na entrevista.

Pesquise sobre a cultura da empresa de jogos

Um dos maiores erros cometidos por candidatos a uma vaga de emprego em qualquer área é não pesquisar sobre a empresa para onde estão se candidatando.

Parece óbvio falar disso, mas esse deslize pode ser grave: muitas pessoas acabam participando de entrevistas sem ao menos saber o motivo pelo qual querem trabalhar ali.

Então, em primeiro lugar: você precisa querer trabalhar naquela empresa. Não existe isso de você entrar no emprego apenas pensando no salário ou aceitar a oportunidade sem ter clareza nos seus objetivos.

Dito isto, vou sugerir aqui uma forma de você descobrir se a cultura daquela empresa realmente tem a ver com seu perfil:

  1. Acesse a página de “Sobre” ou “Missão” no site do estúdio em questão para analisar quais são os objetivos dessa empresa;
  2. Descubra para quais plataformas o estúdio desenvolve jogos. Se o seu sonho é criar jogos para console, por exemplo, busque por empresas tenham projetos desse tipo. No Mapa da Indústria de Jogos você pode pesquisar as empresas pelo tipo de jogo que elas produzem;
  3. Analise se a missão e os valores da empresa realmente têm a ver com o seu objetivo na carreira (a longo ou curto prazo, caso você tenha se planejado dessa forma). Um exemplo: se você deseja trabalhar em um estúdio pequeno, desempenhando diferentes papéis e aprendendo mais sobre cada etapa do projeto, dificilmente se sentirá realizado ao trabalhar em uma empresa de grande porte, que tem todos os cargos muito bem definidos e muitos projetos acontecendo ao mesmo tempo.

Encare essa fase da sua busca por emprego como um momento de autoconhecimento: saiba o que você quer, onde quer chegar e em qual ambiente se sente mais à vontade para trabalhar.

Vai por mim: o fit cultural com a empresa às vezes conta até mais do que os requisitos técnicos de uma vaga.

Conheça os jogos produzidos pela empresa

Esse passo é complementar ao anterior: além de pesquisar sobre a empresa e sua cultura, conheça sobre os projetos que ela já desenvolveu.

Se for possível, baixe e jogue um dos jogos produzidos pelo estúdio. Assim você entende melhor o estilo de games e de projetos que a empresa cria e mostra que você fez a “tarefa de casa”.

Esse diferencial pode contar muito a seu favor e ainda render uma conversa mais interessante com o recrutador.

Pesquise sobre a pessoa que irá te entrevistar

Uma solução para chegar à empresa com mais autoconfiança é pesquisar sobre a pessoa que irá te entrevistar.

Afinal, por mais descontraído que o ambiente de um estúdio de jogos seja, a ansiedade e nervosismo são iminentes diante de uma entrevista de emprego.

Então, pesquise pelo nome do entrevistador no Google ou LinkedIn e tente encontrar fotos ou mesmo vídeos com ele, para já estar familiarizado antes de vê-lo pela primeira vez.

Às vezes você pode até mesmo encontrar informações sobre a trajetória dele com os quais você se identifica, rendendo uma conversa interessante e causando uma boa impressão.

Tenha postura profissional

Eu já comentei no artigo “Como trabalhar com jogos sem ter formação na área” sobre a importância da postura profissional.

E esse atributo deve ser mostrado antes mesmo de você ficar cara a cara com o entrevistador.

Começando pela pontualidade: se sua entrevista for presencial, garanta que você chegará ao local com certa antecedência (pesquise o endereço no Google Maps e trace sua rota se você ainda não sabe como chegar lá). Atrasos causam má impressão em qualquer empresa e em qualquer circunstância.

Caso a conversa seja online, assegure-se de que o microfone e a câmera estejam funcionando.

Cheque se a velocidade da internet será suficiente para suportar uma chamada em vídeo e se o ambiente é silencioso e neutro o suficiente para você ouvir e conseguir ser ouvido pelo entrevistador. Na dúvida, procure por um café ou espaço de coworking antes do compromisso.

Levando todas as etapas antes da entrevista a sério, é hora de partir para uma das fases mais importantes para a conquista do seu primeiro emprego em uma empresa de jogos: a entrevista.

Fase 5: O que fazer durante uma entrevista de emprego num estúdio de games

Se você passou pelas quatro fases anteriores, certamente já sabe as habilidades que desenvolverá (ou já desenvolveu) para disputar uma vaga nessa indústria. Sabe as formas de criar e nutrir seu portfólio com trabalhos relevantes para a sua carreira. Sabe onde encontrar vagas (ou como criar sua própria vaga no mercado de games) e o que deve fazer antes de ir para uma entrevista de emprego.

E nesta última etapa eu quero mostrar algumas dicas para te ajudar a dominar a entrevista de emprego em um estúdio de jogos. São passos simples para que essa experiência seja o mais construtiva possível para você e o entrevistador.

Só tem uma coisa importante que eu gostaria de te lembrar antes de começarmos: como a indústria de jogos é nova, a chance de você ser entrevistado diretamente pelo dono ou co-fundador do estúdio de jogos é grande.

Então, além de essa ser uma ótima oportunidade de conhecer um empreendedor da área, lembre-se de que essa pessoa influenciará 100% da tomada de decisão sobre a sua contratação. Tire um tempo (um dia ou algumas horas do seu dia) para se preparar para esse compromisso.

Vamos então às dicas:

Tenha uma apresentação pessoal impecável

Não importa qual seja o processo seletivo, é sempre útil que você saiba se apresentar da melhor forma possível diante de uma entrevista de emprego.

Então, as chances de que a famosa pergunta “Fale um pouco sobre você” surja no estúdio de games é grande. Isso porque apresentação pessoal é o pontapé inicial da entrevista, então é imprescindível causar uma boa impressão sobre si mesmo.

Fale pouco, mas fale muito em termos de relevância de informação.

O que as empresas basicamente querem saber sobre você é de onde você veio, onde você está, e onde quer chegar. Então, procure contar um pouco da sua trajetória priorizando os seguintes pontos:

  1. Comece contando sobre a sua formação e experiências relacionadas às habilidades requeridas na vaga para qual você está se candidatando;
  2. Conte sobre os seus projetos atuais, o que você tem feito ou estudado e que outras habilidades têm desenvolvido (e como tem feito para aprimorá-las);
  3. Conte o que fez você começar a buscar uma oportunidade em um estúdio de jogos. Fale o que você espera aprender/ aprimorar e que tipos de projeto mais te atraem. E se tem algum ponto específico que fez com que você aplicasse para aquela empresa, esse é o momento para falar.

Eu vou dar um exemplo bem rápido aqui de um designer que não trabalhava na área e que teria seguido as fases neste artigo:

Eu sou designer há 3 anos. Durante esse tempo trabalhei na área editorial em São Paulo, e nas horas livres comecei a me dedicar ao desenvolvimento de jogos, que é a área onde sempre quis trabalhar.

No momento eu tenho estudado mais sobre ilustração de cenários em 3D e sobre como implementá-los melhor em qualquer resolução de tela. Como ainda não trabalho na área, tenho participado de eventos e maratonas de games, onde já desenvolvi jogos X, Y e Z para N plataformas.

E agora eu busco ganhar experiência trabalhando 100% dedicado ao desenvolvimento de jogos. Minha intenção é de aprender ao máximo com a equipe e também colocar em prática tudo o que eu tenho aprendido sobre ilustração para games.

Deu para entender? A ideia é que você conte a sua trajetória reforçando os pontos mais importantes para a vaga que você está se candidatando.

Tente descartar informações pouco importantes para a vaga, como o nome da sua universidade, cidade onde estudou, onde você nasceu…e por aí vai. Se o seu entrevistador perguntar, aí sim você responde essas coisas. Caso contrário, se esforce para destacar o que é relevante para a vaga em questão.

Parece muito simples se apresentar de maneira rápida, mas é fácil perder o foco e começar a falar de coisas irrelevantes da sua vida. Seja breve e direto ao ponto e economize o seu tempo e o do recrutador.

Aliás, fica aqui uma dica final: tenha sua apresentação pessoal na ponta da língua antes mesmo de ser entrevistado.

Seja honesto sobre suas habilidades e dificuldades

No início da carreira, é comum que a insegurança e ansiedade para trabalhar logo com games possam ser tão grande a ponto de o candidato acabar “inflando” as suas experiências.

Mentir para a pessoa que vai te entrevistar pode ser a sentença de morte de sua carreira na indústria de games. E se você pensa que as empresas não percebem isso, está muito enganado.

Aliás, elas preferem muito mais que você seja humilde e honesto do que arrogante em relação às suas habilidades.

Olha só o que alguns co-fundadores de estúdios de games responderam em um questionário feito pelo Produção de Jogos sobre como os candidatos devem se comportar (os destaques são meus):

“Em alguns casos, as pessoas exageram no currículo e depois em uma entrevista não conseguem defender os pontos apresentados lá.” – Fernando Chamis, da Webcore

É preciso que o candidato seja franco e humilde, reconheça suas limitações e deixe claro que o objetivo é aprender e crescer.” – Rodrigo Hülsenbeck, da Kaldra Games

“Os principais erros são: manter-se muito calado e mentir sobre o que sabe e sobre o que não domina.” – Mariano Maia, da Sotero Tech

“Faça um portfólio decente, não precisa ser nada de outro mundo, seja direto no que você tem para mostrar e seja sincero quanto as suas habilidades.” – Fernando Colombo de Almeida, da Fire Horse

“É preciso ter iniciativa para aprender. Somos tolerantes a inexperiência, mas precisamos que isto não se torne uma desculpa para sempre.” – Alexandre Sena, da Palmsoft

Se você analisou a vaga para a qual estava se candidatando, é porque alguma habilidade você tem naquela área.

Então, não tente mostrar ser mais do que você é. Isso prejudica muito mais a si mesmo do que a empresa.

Se você é iniciante na carreira e demonstra vontade de aprender terá muito mais chances de conseguir um trabalho do que “enfeitando” demais o seu currículo.

Faça perguntas

Uma atitude que pode contar pontos e mostrar que você realmente tem interesse na vaga é levar algumas perguntas para o entrevistador.

Afinal, não é porque você está tentando uma oportunidade de trabalho que deve ser passivo durante a entrevista.

Então, ao final da entrevista, caso o recrutador não mencione se você tem alguma dúvida, pergunte a ele se ele se importa em responder questões como:

  • Quantas pessoas trabalham na equipe
  • De que forma os projetos são conduzidos e em que espaço de tempo
  • Como a performance dos colaboradores é medida
  • O que a empresa espera do seu cargo
  • …E qualquer outra dúvida que você possa ter e que influenciará o dia a dia do seu trabalho caso você vá trabalhar para a empresa

Conclusão

Eu espero que esse guia tenha te ajudado até aqui. Você já deve ter percebido que a indústria de jogos cresce e ganha novas proporções o tempo todo. E que, acima de tudo, não existe um único caminho certo para ser bem sucedido nesse mercado.

E eu gostaria de deixar aqui uma sugestão para você: se você achou esse artigo útil e quer se preparar melhor para entrar na indústria de jogos, provavelmente o meu curso Modo Carreira será ideal para alcançar esse objetivo.

Lá eu ensino como você pode criar o seu próprio plano de carreira para começar a trabalhar com games mesmo que você tenha zero experiência nessa área hoje.

Eu abrirei novas vagas para o curso em Setembro. Clique aqui para entrar na lista de espera.

Agora eu quero saber de você…

Qual foi a principal sacada que você tirou desse artigo? Qual tática ou estratégia você gostou e pretende implementar?

Me conte nos comentários!

  • Rômulo Berri

    Valeu Raphael! Tenho uma entrevista para um empresa de games da Alemanha amanhã. Com certeza esse artigo veio bem a calhar hj! Valeu!

    • Raphael Dias

      Que ótimo, Rômulo! Te desejo sorte na entrevista!

  • artefatal

    ar sim eu gosto de arte e também de programação tem uma área específica que eu possa trabalhar com as
    duas habilidade

    • Raphael Dias

      Se você quer se desenvolver nessas duas habilidades, você pode optar por criar seus próprios jogos sozinho. Dentro de uma empresa de games, provavelmente você irá trabalhar apenas com programação ou apenas com arte. A minha recomendação é que você escolha uma das duas para se especializar primeiro. Torne-se primeiro muito bom em uma delas!
      Abraço!

  • Wesley Silva

    Rafael muito daora o artigo gostei de mais …

    • Raphael Dias

      Valeu, Wesley!

  • Wesley Silva

    Rafael muito bom o artigo gostei de mais..

    • Raphael Dias

      Obrigado, Wesley!

  • Ygor Amaral

    Parabéns pelo artigo Rafael. Achei bastante instrutivo e prático a leitura. Creio que é uma ótima base para se conseguir um emprego na indústria de jogos 😀

    • Raphael Dias

      Obrigado, Ygor! A ideia era ser um artigo bem prático mesmo, tem muitas coisas neste artigo que podem ser implementadas imediatamente.
      Abração!

  • Guilherme Souza

    Raphael já faz um tempo que acompanho o produção de jogos e todos os seus materiais são de ótima qualidade, mas me perdoe esse é o melhor material que você já fez (minha opinião kkk). Já aplicava muitas dessas dicas porém muita coisa eu não conhecia e agora sinto que com esse material a chance de entrar em uma empresa é possível e não só possível como muito próxima, e olha que em a dois meses atrás estava desanimado e pensando em ir para a área web só que desenvolver jogos é meu sonho como de muitos outros aqui. Estou “destroçando” o artigo e arrumando conforme minhas necessidades.
    Espero que o produção de jogos sobreviva por vários e vários anos para ajudar diversos iniciantes como eu.

  • Guilherme Politano

    Boa tarde. Estou com um dilema e gostaria de saber a sua opinião. Eu tenho um projeto completo de um jogo, parte já está escrita e o resto está na minha cabeça ainda. É algo diferente mas plenamente possível de ser feito, e que eu acho que daria muito certo no mercado atual de jogos. Eu sei bastante de photoshop, um pouco de modelagem 3d, muitissimo pouco de software de desenvolvimento de jogos (UE, Unity, etc) e quase nada de programação (detalhe que eu sou formado em Direito). A questão é, eu não tenho muito tempo para trabalhar sozinho nesse projeto, aprender programação, mexer nos programas, desenvolver o jogo em si (eu trabalho e estudo para concursos), e eu tenho interesse em montar uma equipe pra desenvolver. Minha idéia inicial é montar uma equipe para desenvolver o alpha do jogo e depois tentar arrecadar em crowndfunding. Ocorre que, como eu imagino que minha idéia é “única” eu tenho medo de colocar qualquer pessoa e ter minha idéia “roubada”. Outro problema é que eu moro no Espírito Santo, aqui não tem tantos desenvolvedores como em outros lugares. Outra solução seria “vender” minha ideia para uma empresa maior, mas não sei nem como tentar fazer isso e tbm tenho medo que ela “roube” a ideia. A outra solução seria eu esperar passar no concurso que eu almejo, aí sobraria tempo e dinheiro para desenvolver. Qual a sua opinião? Obrigado pela atenção

  • Thaís Schiavinoto

    Ótimo artigo! Vale tanto para quem quer se iniciar no mercado dos jogos quanto da área criativa em geral. Me fez repensar em meu portfólio e currículo, além de introduzir uma estratégia muito legal para entrevistas. Obrigada pelo texto! Tá aqui salvo nos favoritos.