Como trabalhar com jogos sem largar seu emprego atual

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Com frequência, eu recebo de leitores mensagens como esta:

Minha maior dificuldade [para começar a trabalhar com jogos] é que eu já tenho emprego em outra área e preciso do meu salário para pagar minhas contas, largar tudo e cair de cabeça não é uma uma opção pra mim.”

Eu vejo muitas pessoas que sonham em trabalhar com jogos, mas enxergam o seu emprego atual como um obstáculo para isso acontecer.

Geralmente isso acontece por dois motivos:

  1. Elas não querem largar seu emprego atual porque, apesar de quererem ingressar no mercado de games, gostam muito do que fazem no trabalho atual e os benefícios que possuem lá;
  2. Elas não podem largar seu emprego atual, pois possuem compromissos financeiros e pouca ou nenhuma reserva financeira para articular uma mudança de carreira;

As duas situações que descrevi acima são extremamente comuns e acabam paralisando profissionais inteligentes e competentes que querem ingressar no mercado de games.

Se você se encontra em uma das situações acima, tem algo muito importante que você precisa entender: você não precisa largar sua carreira atual para trabalhar com jogos. Este é apenas mais um mito sobre como o mercado de games funciona.

Este é um mito que vai até mesmo além da indústria de jogos e está relacionado com a forma que as pessoas enxergam suas carreiras.

Para a sociedade, nós precisamos ter um rótulo. Temos que ser “o Programador”, “o Engenheiro” ou “o Designer”.

Esta é uma noção de carreira bem antiga. Alguns sobrenomes populares da língua inglesa nada mais são que nomes de profissões: Smith (ferreiro), Carpenter (carpinteiro) ou Fisher (pescador). Naquele tempo era comum a profissão de uma pessoa virar sua própria identidade.

Mas a sociedade em que vivemos hoje é muito mais dinâmica e as possibilidades de carreira muito mais plurais. Uma mesma pessoa pode trabalhar com várias coisas diferentes (ou ter “várias carreiras”) se souber balancear as coisas.

Para conseguir fazer isso na indústria de jogos, você precisa primeiro entender como esse mercado funciona e como você pode se encaixar nele.

Hoje eu vou te mostrar como fazer isso.

Como você pode usar suas habilidades únicas e criar uma segunda carreira na indústria de jogos

Se você trabalha em uma das áreas abaixo, existe uma grande chance de você conseguir utilizar suas habilidades para trabalhar também na indústria de jogos:

  • TI / Programação;
  • Web Designer/Developer;
  • Designer Gráfico / Artista Gráfico;
  • Engenharias;
  • Cinema e audiovisual;
  • Roteiro e escrita;
  • Marketing;
  • Administração / Contabilidade / Economia;
  • Direito;
  • Música;

A lista completa com certeza é bem maior, mas acho que você já percebeu a abrangência de possibilidades.

Neste artigo, eu vou pegar alguns exemplos para analisar a fundo. Se eu não pegar uma área parecida com a sua, pense em como adaptar para o seu contexto, ok?

Vamos lá:

Para quem possui habilidades em lógica e programação

Conhecimentos de lógica e programação são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer jogo.

Existem, sim, inúmeras ferramentas que permitem criar jogos mesmo sem saber programar, mas mesmo nelas é necessário um conhecimento de lógica para criar as mecânicas de jogo.

Quem sabe programar em linguagens como C++, Javascript ou C# (apenas para citar alguns exemplos), pode utilizar esse conhecimento para atuar no mercado de games de diferentes maneiras.

Vamos ver alguns exemplos específicos:

Prestar serviço de programação para empresas de jogos

Se você já tem conhecimento sólido em programação, você pode se aprofundar nos requisitos necessários para atuar no mercado de jogos como freelancer.

Numa rápida consulta na internet você vai achar propostas de trabalho como essas:

Note que a primeira tem um budget de 2.500 dólares (projeto completo) e a segunda apenas de 10 dólares (pequena ajuda para um iniciante). Eu escolhi esses exemplos para te mostrar a variedade de opções.

Mas não é somente em sites em inglês que é possível encontrar esse tipo de trabalho freelancer de programação.

Recentemente eu abri uma vaga para desenvolvedor Unity (já preenchida), onde qualquer programador com experiência básica em Unity conseguiria se candidatar:

A pessoa que preencheu a vaga acima (um aluno da Academia de Produção de Jogos) tem um emprego fixo e trabalha neste projeto apenas durante a noite e finais de semana.

O seu emprego fixo é numa empresa de games, mas daria no mesmo se fosse numa empresa de TI, engenharia ou qualquer outra área não relacionada à indústria de jogos.

Se você já sabe programar, você pode começar a prestar serviços de desenvolvimento para o mercado de jogo. No final deste artigo eu vou te explicar como você pode dar os primeiros passos.

Criar assets que auxiliem desenvolvedores de jogos com menor domínio de programação (ou acelerem aquelas que dominam)

Outra possibilidade para quem domina programação é a criação de assets.

Um ótimo exemplo é este asset criado pelo Thiago Bertoni, o XP Manager:

Este asset é basicamente uma extensão para ser utilizada na Unity, que permite o desenvolvedor que o possui criar e controlar variáveis internas do jogo como Vida, Força, Ataques, Defesa, Velocidade, etc.

Como você pode ver no conteúdo do asset, ele é constituído basicamente por uma série de scripts em C#:

Ele pode ser comprado por qualquer pessoa do mundo através da Unity Asset Store e, quando isso acontece, o Thiago recebe uma porcentagem da venda.

Para quem possui habilidades com arte gráfica (desenho, ilustração, pintura digital, etc)

Se você trabalha com produção de arte gráfica em geral, ou mesmo se você aprendeu por conta própria, você pode utilizar essas habilidades para trabalhar na indústria de games no seu tempo livre.

Existem diversas possibilidades para ser remunerado pela sua produção artística. A criação de assets e o trabalho freelancer, discutidos acima no contexto de programação, são também ótimos exemplos para quem sabe ilustrar ou desenhar.

Você pode criar assets gráficos como personagens, elementos de UI, ou mesmo conjuntos de imagens que compõem um cenário completo:

Você pode também oferecer seus serviços em sites como o Fiverr. Essa foi a opção escolhida pelo William Schutz, aluno da Academia de Produção de Jogos e desenvolvedor dos jogos Tough Story: Big Hell e Low Desert Punk:

  • Criando Jogos focados no visual

Eu quero te mostrar ainda uma opção que eu considero muito interessante: o desenvolvimento de jogos centrados em arte gráfica.

Em um outro artigo, eu defini o conceito de Complexidade Máxima Alcançável (CMA) – que permite qualquer pessoa desenvolver jogos centrados em suas habilidades únicas.

Eu recomendo que você leia o artigo original sobre CMA, mas vou reproduzir a definição abaixo para relembrar quem já conhece:

Um jogo tem Complexidade Máxima Alcançável (ou CMA) quando as habilidades dos seus desenvolvedores são suficientes para desenvolvê-lo em nível profissional.

Em outras palavras, desenvolver jogos com CMA é uma maneira de garantir que seu jogo terá aparência profissional mesmo que você não seja extremamente habilidoso ou tenha todas as habilidades necessárias para fazer um jogo.

Bom, mas o que isso tem a ver com o nosso contexto aqui?

Simples: se você é bom na criação de arte gráfica, você pode fazer jogos inteiramente focados na sua habilidade única.

Dessa maneira, você poderá criar jogos profissionais mesmo sem saber nada de programação, música, roteiro ou outros elementos que podem constituir um jogo.

Um ótimo exemplo é o jogo A Vítima de Ouro, de André Alves, um jogo de aventura no famoso estilo point-and-click:

Para quem possui habilidades necessárias em qualquer empresa (como marketing, contabilidade, gerenciamento de projetos, etc)

Agora eu quero te convidar para pensar além do óbvio.

Quando se fala em trabalhar na indústria de games, as pessoas geralmente pensam que só há espaço para programadores, desenhistas, game designers e músicos.

Mas para ter uma empresa de jogos de sucesso é preciso ir muito além disso.

O mercado de jogos brasileiro está cada vez mais maduro, com empresas sérias começando a receber investimentos milionários de dentro e fora do Brasil.

Com essa profissionalização e desenvolvimento do mercado, surge também a necessidade de aprender a atuar como uma empresa formal.

Isso significa aprender (ou delegar) questões importantes como contabilidade, direito, marketing, gerenciamento de projetos e pessoas, administração, desenvolvimento de negócios, entre outras coisas.

Como a maioria dos desenvolvedores de jogos acham essas coisas chatas ou desinteressantes (afinal, eles estão focados em desenvolver um grande jogo), surge a oportunidade para quem já tem esses conhecimentos.

Mas talvez você esteja pensando: “pô, Raphael, mas o que não falta são pessoas com esses conhecimentos ou consultorias que podem ajudar”.

Isso pode até ser verdade. Mas quase nenhum desses profissionais faz a mais remota ideia de como a indústria de games funciona e qual é a dinâmica do mercado nacional de jogos.

A maioria dos profissionais dessas áreas não conhecem a realidade da indústria brasileira de jogos e, por causa disso, não conseguem se comunicar de maneira eficiente com as empresas do setor.

E isso é uma oportunidade ENORME.

A verdade é que a indústria de games é carente de profissionais desses setores que conheçam o mercado de jogos brasileiro a fundo a ponto de conseguir atuar nele de maneira eficaz.

Coloque em prática e comece hoje mesmo a planejar sua entrada no mercado de games

A indústria de jogos é uma das mais ricas, dinâmicas e interessantes que existem. Todos os dias milhares de desenvolvedores ao redor do mundo trabalham duro para criar jogos que vão impactar positivamente milhões de pessoas.

Para começar a trabalhar no mercado de games, você precisa primeiro entender como encaixar suas habilidades neste mercado de maneira eficaz.

Para te ajudar com isso, eu desenvolvi um Plano de Ação para te guiar nessa jornada.

Com este Plano de Ação você vai:

  • Identificar em qual estágio você está agora e quais são os próximos passos da sua jornada dentro da indústria de jogos;
  • Descobrir o que fazer para realizar seu sonho de trabalhar com jogos – mesmo que você não faça ideia por onde começar;
  • Evitar perder tempo por não saber por onde começar ou como progredir na sua carreira na indústria de games – isso pode te custar meses, anos ou até mesmo fazer você desistir de trabalhar com o que realmente ama.

Baixe gratuitamente a cópia do Plano de Ação colocando seu nome e email abaixo – e saiba os próximos passos para começar a trabalhar com jogos:


  • Donald Trump

    Olá Raphael e pra quem ainda não tem emprego ? Eu tô começando na área de roterista para jogos mais ainda sou um freela alguma dica ?

  • Willian Anderson

    Olá Raphael, tudo bom? eu tenho algumas duvidas em relação ao que quero ser, eu já tenho 17 anos e você deve imaginar a loucura que deve ser estar prestes a fazer 18, prestar faculdade, provas, complicado né? Sobre isso eu não sei muito o que quero pra mim mas visto isso, sempre amei jogos desde que era pequeno, sempre amei escrever, desenhar e imaginar sobre histórias vividas na mente de uma criança inocente, mas a questão que queria relatar, é que eu não sei o que me combina com a parte de jogos, penso em ser Game Design, mas pesquisando de leves, deu para perceber que o salário de Game Designer é bem fraco no brasil além da falta de trabalho, eu não sei o que fazer, no que acreditar ou muito menos no que me empenhar, o Senhor com seus incríveis conhecimentos na industria de vídeo-games poderia me ajudar esclarecendo algumas coisas como salário, se vale a pena e etc? Agradeço desde já!